quinta-feira, 2 de julho de 2015

MÃE!!!



Não empurrem, não empurrem
Que se passa? Está apertado, muito apertado.
O que é isto? Está frio!
Quem é esse maluco com uma tesoura?
Não! Não é possível, cortou-me o cordão.
Estou a ficar turvo…
Aiiiii! Aiiiii!
MÃE!!!!!!
O que estão a fazer?
Eu sou pequenino, porquê tantos e tão grandes?
Porquê a agressão? Dói-me o rabinho.
Uaaa, Uaaa
MÃE!!!
Que roupa é esta? Pareço um boneco.
Colinho. Agarra-me mãe.
Tenho que respirar, tenho que chorar, tenho que te abraçar.
Tanto que aprender, tenho medo, tenho fome!
MÃE!
Hum, leitinho, está a melhorar, com tanta coisa nova às tantas ainda me vão dar uma cerveja.
Querem lá ver que ainda vou gostar disto…

terça-feira, 23 de junho de 2015

Quero amar a Mona Lisa



Quero amar a Mona Lisa
Quero fazer amor na torre de Pisa
Quero viajar à toa
Quero voar sobre Lisboa
Quero conhecer o mundo que me rodeia
Quero saber quem me odeia
Quero ver o pôr-do-sol numa esplanada
Quero passar a tarde sem fazer nada
Quero o nosso ágape como um tesouro
Quero um tinto do douro
Quero colorir a minh’alma
Quero feijão com óleo de palma
Quero querer querendo
Quero morrer vivendo
Quero envelhecer amando
Quero continuar andando
Quero o Sporting campeão
Quero-o, com o Jesus ou não
Quero amar a Mona Lisa
Quero fazer amor na torre de Pisa

sexta-feira, 19 de junho de 2015

E ninguém disse que a vida tem de libertar


A vida é tão maravilhosa que tem que ser vivida
É tão colorida que tem que ser observada
É tão sinfónica que tem que ser ouvida
É tão bela que tem que ser pintada
 
A vida é finita para ser saboreada
Para ser vivida como se fora o último dia
 
A vida é controvérsia
Se merecida, se proporcionada
 
A vida é heróica
Tão efémera, que só vale a pena se for verdadeira
Por mais que diga a tróica
À alta montanha sobe-se por uma ladeira
 
De ciclos e leis, é feita a teia da vida
Qual aranha laboriosa incessantemente a tear
Sofrida, sentida, gozada, apreciada,
Nuns dias dançada,
Noutros fugida,
Presos à história, à terra, à fé!
Por mais que chore, estou a adorar
E ninguém disse que a vida tem de libertar

segunda-feira, 15 de junho de 2015

E nenhuma pele está impedida de voar


Tanto céu e tanto mar

Redemoinhos de azul inebriante volteiam sem cessar

Qual turbilhão de sensos subindo pelo ar

Guinando pelos ventos ascendentes sem parar

Em algum dia desejamos voar

E qual condor de imensas asas, a planar

Imensos campos cheios de vida a saltar

Altas montanhas atravessar

Sem sequer pestanejar

Por mares alterosos navegar

Tudo isto podemos realizar

Sem mesmo sair do lugar

O poder da mente é invulgar

O da palavra espectacular

A sua conjugação permite tudo experimentar

Por mais inverosímil que possa soar

Quaisquer sentimentos pode provocar

Não há coração que não possa amar

Toda a boca deve beijar
E nenhuma pele está impedida de voar

terça-feira, 9 de junho de 2015

Gasta-se o tempo e não a vida


Gasta-se o tempo e não a vida

Que a vida, é sentido único

Não tem volta, só ida

Não se pode gastar, apenas usar

 

Quem falar que a vida quer dar, não é de fiar

Ou sofreu desfalecimento de sentimento

Ou apenas joga palavras ao vento, mais rápido que o pensamento

E quem fala por falar, não é de fiar

 

Vida hoje tem, amanhã já não

Quando o amanhã for hoje, o hoje gastou-se ontem

O tempo é uma bola a descer uma montanha

A vida é um balão ao sabor do vento

 

O tempo caminha inexorável

Dar tréguas não é expectável

Esperar no seu canto é deplorável

Pois a vida não é descartável

 

Aproveitar bem o tempo é urgente

Que ele passa sem parar, sem dar saída

Qual lágrima pungente
Gasta-se o tempo e não a vida

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Criei o mundo



Modéstia à parte, Criei um belo mundo

Prenhe de maravilhas, minerais e viventes

Coloquei a Minha marca em tudo o que criei

Gelo ou fogo, vegetal ou animal, aéreo ou subterrâneo

Criei um mundo em movimento perpétuo

Energia é movimento, uma foto é um momento

Criei uma lei universal, a que nada pode escapar

Do mais humilde ao maior, do menor ao mais arrogante

A cada um Dei seu instante

A todos Darei sua era em teste universal

A avaliação será chamada de juízo final

Sem apelo nem agravo

Sem escolhidos

Sem vencedores antecipados

Sem culpas, nem culpados

A todos chamarei, a todos aplicarei Minha justiça

A justiça divina!

Não busco que em mim creiam, que me sigam, que em meu nome lutem

Nada Espero, nada está predefinido

Quem me buscar não me encontrará!

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Carta a um filho desaparecido


O meu coração foi arrancado do meu peito rasgado
Atirado, como simples pedaço de carne, no pó da estrada
A minha vida colorida e cheia de esperanças
Jogada, num baú esquecido no ático


De modo selvático
Qual saraiva de lanças
Sobre uma trupe desarmada
Da minha vida foste tirado


Trinta vezes a Terra o Sol cortejou
Desde o último beijo que na tua face depositei
Lágrimas, em rios delas me deitei
Num mundo de sombras estou


Nesta missiva desesperada
Vai o único anseio que sobrou
Desejo que gostes da estrada
Que o destino me tirou

Não mal julgues o teu pai querido
Pois nunca te abandonou
Nunca um dia foste esquecido
Mesmo se junto de ti não estou.

sábado, 23 de maio de 2015

Quero o que não vem na pele


Condicionados
O molde aplicado desde a primeira golfada de ar
Desde o primeiro grito
Lima arestas até sangrar

Os estereótipos adicionados
Relativizam diferentes sociedades
Mantendo constantemente o atrito
Nas profundezas como se de Hades

Os sentimentos transaccionados
Mercantil e avidamente
Como pedra eu brito
Estupidamente

De grandes feitos falhados
Sem buscar que eu apele
Mais que tudo o que está escrito

Quero o que não vem na pele

sábado, 10 de janeiro de 2015

Charlie


Agora que todos estamos ainda nocauteados pelo efeito Charlie, talvez seja a hora de começar a perceber o que se está a passar no mundo. Será que a “culpa” é só dos muçulmanos e do islão? Que não aceitam que possa existir outra(s) religião(ões)? Ou o problema será mais vasto e geral? Que me recorde a igreja católica teve uma inquisição, onde quem saía da norma era queimado, onde qualquer opinião era severamente reprimida. Promoveu a expulsão, a conversão forçada de quem não era católico. A igreja judaica ainda hoje considera Jesus uma farsa e nunca o irá aceitar, bem como os seus seguidores e considera o seu povo, os escolhidos por Deus.

O problema a meu ver, vem dum “pequenino” problema, a ver:

Se Deus é único e eu creio Nele e sigo todas as normas, logicamente, quem crê em outro deus, só pode ser blasfemo e terá que ser “reeducado” ou apagado, pois como se pode aceitar que alguém acredite “noutro” Deus único, siga todos os seus mandamentos e viver em paz, desafogado, e feliz? Se Deus existe, é único, é o MEU!

Enquanto este dilema não for resolvido, as guerras religiosas vão continuar. Inocentes vão sofrer.

Como é possível, tantas guerras em nome de Deus? Como é possível os exércitos terem padres?

Tenho para mim que isto ainda vai dar m****!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Kalandula


Mais uma vez de volta a terras de Malanje, desta vez finalmente para desfrutar. Após Cacuso encontrámo-nos numa recta que se estendia para lá do horizonte, bem, recta mais ou menos, pois em determinado ponto existe uma chicane, mas o piso é óptimo e o traçado também. O dia estava fresco, nebuloso, a ameaçar chuva. Ao cruzar o rio Lucala deparámos com uma ponte testemunha dos tempos atribulados porque esta terra passou, metade em betão, antiga e metade metálica, da engenharia militar. Subimos ao planalto e entrámos em Kalandula, via dupla com duas faixas em cada sentido, separador ao centro, casas relativamente cuidadas, da época colonial, seguimos para os derradeiros 4 km. Finalmente as quedas. São tudo aquilo que ouvira dizer. Maravilha da natureza. As fotos da praxe, e fica um gosto estranho na boca, fizemos 250 km “apenas” para ver um bolo de chocolate atrás de uma montra? Pode ser belo, mas falta-lhe o aroma e o gosto. O Domingos e o Mateus convenceram-nos a baixar à base da cascata. O início da íngreme descida mostrou-nos logo o que iríamos encontrar, muito verde, um ar de selva luxuriante, flores únicas, chilrear de pássaros desconhecidos e uma vista de cortar a respiração. Já nas margens do Lucala reparámos que havia que passar zonas bastante enlameadas, outras seria mesmo a vau, noutras ainda o mato era tão denso que nem se via o caminho. Finalmente chegámos ao destino. Visão fantástica. Um sorriso inundou a todos. Foi para isto que viemos. O vento resolveu então pregar-nos uma partida, pegou na água em queda livre, elevou-a e direccionou-a para nós. Num dia calmo, quente, com o sol a aparecer, vimo-nos completamente ensopados. Não nos levou a boa disposição contudo. O regresso fez-se por caminho, agora já conhecido, até ao distante topo do planalto, mais de 100 metros. Se a descida é rápida e tranquila, apenas requer cuidado para não ter uma queda, a subida exige fôlego. De volta ao topo e ao calor do verão africano, todos mais ricos, cansados, sujos e molhados, mas também felizes e esfomeados. O almoço foi uma deliciosa surpresa. Um belo cacusso grelhado, num restaurante aprovado pelo painel.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Balanço

Assim em jeito de balanço, que o 2014 já vai para desconto de tempo, vejo que o mundo ficou muito perigoso. Fundamentalismos avançam por toda a parte. Agendas escondidas governam grande parte dos países. Intolerâncias germinam. Polícias brancos matam negros nos EEUU diariamente. Desemprego. Desengano. Miséria. Milhares arriscam travessias suicidas em barcos apinhados, que afundam afogando sonhos. A Europa rica assobia para o ar, riscando do vocabulário palavras tão simples como: solidariedade, apoio, redistribuição, expectativas; numa sucessão de asneiras, que dariam vontade de rir não fora os efeitos devastadores em milhões de novos pobres. O mundo está a ficar perigoso. O novo passatempo dos meninos mimados europeus, é ir para a guerra no médio oriente, e postar filmes e fotos de decapitações e outras selvajarias inimagináveis no século XXI, vontade que subitamente pára quando o Iphone quebra e ficam sem conseguir estar nas redes sociais, nessa altura pedem ajuda aos papás para regressar aos países de acolhimento e voltar a usufruir do conforto burguês decadente…
África vai vendo o tempo passar e continua sem conseguir distribuir a riqueza que vai extraindo do subsolo pelas suas gentes, num ciclo de pobreza autofágico sem fim. As alterações climáticas começam a fazer-se sentir um pouco por todo o lado, num planeta sobrelotado em que algumas colheitas consecutivas falhadas podem ter efeitos devastadores. O planeta está vivo e começa a criar anticorpos para expurgar os parasitas que o violam incessantemente sem réstia alguma de respeito. Todos os sistemas caóticos tendem para o equilíbrio, pode demorar algum tempo, mas as leis da natureza também nos regem, por mais que tentemos olvidar.

Em termos pessoais o ano ficou marcado por um início absolutamente devastador, fruto de um acidente estúpido, que alterou as nossas vidas para sempre. Hoje somos outros, felizmente que nos momentos maus há alguém que diz presente, mesmo se tantos se vão. Há uma lágrima no canto do olho, permanente. Uma tristeza que tolda o olhar. Há sempre um som que nos faz recordar, uma loja que era os teus olhos, é certo que também há os novos amigos que nos fazem sentir bem, os teus amigos que nos abraçam, que nos dizem que devemos estar orgulhosos da filha que criámos. E os rios de lágrimas que descem em torrentes destes olhos que começam a ficar cansados… 

Quero pedir desculpa a todas as mulheres

Quero pedir desculpas a todas as mulheres que descrevi como bonitas antes de dizer inteligentes ou corajosas Fico triste por ter falado como...