sábado, 11 de julho de 2015

Um homem no chão

Sobem e descem, sem prestar atenção,
Novos e velhos, sem expressão,
Uns e outros, ninguém olha para o chão
Andam e correm, como um avião

Os carros desviam-se, no último momento
Pneus chiando, como um lamento
Corre, que corre em busca do sustento
Caras descoloridas, em tons de cinzento

Sobem e descem, sem prestar atenção
Olho mortiço, sem visão
E tu continuas, lá no chão
Que sociedade, que desilusão.

De palas nos olhos como um jumento
Vida assim é um tormento!
Os carros desviam-se, no último momento
E tu continuas, sem movimento.

Sociedade assim, quero não!
Homem caído, homem no chão
Sobem e descem, sem prestar atenção
Bastava um deles, deitar-te a mão.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

MÃE!!!



Não empurrem, não empurrem
Que se passa? Está apertado, muito apertado.
O que é isto? Está frio!
Quem é esse maluco com uma tesoura?
Não! Não é possível, cortou-me o cordão.
Estou a ficar turvo…
Aiiiii! Aiiiii!
MÃE!!!!!!
O que estão a fazer?
Eu sou pequenino, porquê tantos e tão grandes?
Porquê a agressão? Dói-me o rabinho.
Uaaa, Uaaa
MÃE!!!
Que roupa é esta? Pareço um boneco.
Colinho. Agarra-me mãe.
Tenho que respirar, tenho que chorar, tenho que te abraçar.
Tanto que aprender, tenho medo, tenho fome!
MÃE!
Hum, leitinho, está a melhorar, com tanta coisa nova às tantas ainda me vão dar uma cerveja.
Querem lá ver que ainda vou gostar disto…

terça-feira, 23 de junho de 2015

Quero amar a Mona Lisa



Quero amar a Mona Lisa
Quero fazer amor na torre de Pisa
Quero viajar à toa
Quero voar sobre Lisboa
Quero conhecer o mundo que me rodeia
Quero saber quem me odeia
Quero ver o pôr-do-sol numa esplanada
Quero passar a tarde sem fazer nada
Quero o nosso ágape como um tesouro
Quero um tinto do douro
Quero colorir a minh’alma
Quero feijão com óleo de palma
Quero querer querendo
Quero morrer vivendo
Quero envelhecer amando
Quero continuar andando
Quero o Sporting campeão
Quero-o, com o Jesus ou não
Quero amar a Mona Lisa
Quero fazer amor na torre de Pisa

sexta-feira, 19 de junho de 2015

E ninguém disse que a vida tem de libertar


A vida é tão maravilhosa que tem que ser vivida
É tão colorida que tem que ser observada
É tão sinfónica que tem que ser ouvida
É tão bela que tem que ser pintada
 
A vida é finita para ser saboreada
Para ser vivida como se fora o último dia
 
A vida é controvérsia
Se merecida, se proporcionada
 
A vida é heróica
Tão efémera, que só vale a pena se for verdadeira
Por mais que diga a tróica
À alta montanha sobe-se por uma ladeira
 
De ciclos e leis, é feita a teia da vida
Qual aranha laboriosa incessantemente a tear
Sofrida, sentida, gozada, apreciada,
Nuns dias dançada,
Noutros fugida,
Presos à história, à terra, à fé!
Por mais que chore, estou a adorar
E ninguém disse que a vida tem de libertar

segunda-feira, 15 de junho de 2015

E nenhuma pele está impedida de voar


Tanto céu e tanto mar

Redemoinhos de azul inebriante volteiam sem cessar

Qual turbilhão de sensos subindo pelo ar

Guinando pelos ventos ascendentes sem parar

Em algum dia desejamos voar

E qual condor de imensas asas, a planar

Imensos campos cheios de vida a saltar

Altas montanhas atravessar

Sem sequer pestanejar

Por mares alterosos navegar

Tudo isto podemos realizar

Sem mesmo sair do lugar

O poder da mente é invulgar

O da palavra espectacular

A sua conjugação permite tudo experimentar

Por mais inverosímil que possa soar

Quaisquer sentimentos pode provocar

Não há coração que não possa amar

Toda a boca deve beijar
E nenhuma pele está impedida de voar

terça-feira, 9 de junho de 2015

Gasta-se o tempo e não a vida


Gasta-se o tempo e não a vida

Que a vida, é sentido único

Não tem volta, só ida

Não se pode gastar, apenas usar

 

Quem falar que a vida quer dar, não é de fiar

Ou sofreu desfalecimento de sentimento

Ou apenas joga palavras ao vento, mais rápido que o pensamento

E quem fala por falar, não é de fiar

 

Vida hoje tem, amanhã já não

Quando o amanhã for hoje, o hoje gastou-se ontem

O tempo é uma bola a descer uma montanha

A vida é um balão ao sabor do vento

 

O tempo caminha inexorável

Dar tréguas não é expectável

Esperar no seu canto é deplorável

Pois a vida não é descartável

 

Aproveitar bem o tempo é urgente

Que ele passa sem parar, sem dar saída

Qual lágrima pungente
Gasta-se o tempo e não a vida

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Criei o mundo



Modéstia à parte, Criei um belo mundo

Prenhe de maravilhas, minerais e viventes

Coloquei a Minha marca em tudo o que criei

Gelo ou fogo, vegetal ou animal, aéreo ou subterrâneo

Criei um mundo em movimento perpétuo

Energia é movimento, uma foto é um momento

Criei uma lei universal, a que nada pode escapar

Do mais humilde ao maior, do menor ao mais arrogante

A cada um Dei seu instante

A todos Darei sua era em teste universal

A avaliação será chamada de juízo final

Sem apelo nem agravo

Sem escolhidos

Sem vencedores antecipados

Sem culpas, nem culpados

A todos chamarei, a todos aplicarei Minha justiça

A justiça divina!

Não busco que em mim creiam, que me sigam, que em meu nome lutem

Nada Espero, nada está predefinido

Quem me buscar não me encontrará!

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Carta a um filho desaparecido


O meu coração foi arrancado do meu peito rasgado
Atirado, como simples pedaço de carne, no pó da estrada
A minha vida colorida e cheia de esperanças
Jogada, num baú esquecido no ático


De modo selvático
Qual saraiva de lanças
Sobre uma trupe desarmada
Da minha vida foste tirado


Trinta vezes a Terra o Sol cortejou
Desde o último beijo que na tua face depositei
Lágrimas, em rios delas me deitei
Num mundo de sombras estou


Nesta missiva desesperada
Vai o único anseio que sobrou
Desejo que gostes da estrada
Que o destino me tirou

Não mal julgues o teu pai querido
Pois nunca te abandonou
Nunca um dia foste esquecido
Mesmo se junto de ti não estou.

sábado, 23 de maio de 2015

Quero o que não vem na pele


Condicionados
O molde aplicado desde a primeira golfada de ar
Desde o primeiro grito
Lima arestas até sangrar

Os estereótipos adicionados
Relativizam diferentes sociedades
Mantendo constantemente o atrito
Nas profundezas como se de Hades

Os sentimentos transaccionados
Mercantil e avidamente
Como pedra eu brito
Estupidamente

De grandes feitos falhados
Sem buscar que eu apele
Mais que tudo o que está escrito

Quero o que não vem na pele

sábado, 10 de janeiro de 2015

Charlie


Agora que todos estamos ainda nocauteados pelo efeito Charlie, talvez seja a hora de começar a perceber o que se está a passar no mundo. Será que a “culpa” é só dos muçulmanos e do islão? Que não aceitam que possa existir outra(s) religião(ões)? Ou o problema será mais vasto e geral? Que me recorde a igreja católica teve uma inquisição, onde quem saía da norma era queimado, onde qualquer opinião era severamente reprimida. Promoveu a expulsão, a conversão forçada de quem não era católico. A igreja judaica ainda hoje considera Jesus uma farsa e nunca o irá aceitar, bem como os seus seguidores e considera o seu povo, os escolhidos por Deus.

O problema a meu ver, vem dum “pequenino” problema, a ver:

Se Deus é único e eu creio Nele e sigo todas as normas, logicamente, quem crê em outro deus, só pode ser blasfemo e terá que ser “reeducado” ou apagado, pois como se pode aceitar que alguém acredite “noutro” Deus único, siga todos os seus mandamentos e viver em paz, desafogado, e feliz? Se Deus existe, é único, é o MEU!

Enquanto este dilema não for resolvido, as guerras religiosas vão continuar. Inocentes vão sofrer.

Como é possível, tantas guerras em nome de Deus? Como é possível os exércitos terem padres?

Tenho para mim que isto ainda vai dar m****!

Quero pedir desculpa a todas as mulheres

Quero pedir desculpas a todas as mulheres que descrevi como bonitas antes de dizer inteligentes ou corajosas Fico triste por ter falado como...