domingo, 21 de setembro de 2014

Caminho

Descaminhou longamente rio abaixo, num serpentear flagelado pelo capim alto da beira de água. O calor húmido fazia desacreditar que a água estava lá dentro das margens, a transpiração era tanta que acreditou ter uma nascente de rio nos interiores recônditos da alma. Só as cantorias chilreadas por esvoaçantes seres lhe amenizavam as dores provocadas por capins de elefante, enormes, cortantes e omnipresentes, não podia escolher caminho melhor, só pior… Os olhos rasos de águas escorridas não conseguiam contemplar paisagens através de vislumbres deslumbrantes, nos raros momentos livres de capim. A fadiga lhe fazia despensar sobre o que fazer em caso de encontro com algum mastodonte naquele fim de mundo com os movimentos tolhidos pela densa mata. Após longas horas de catanadas pouco tinha avançado. O rio se lhe servia de guia orientativo, lhe impedia a marcha tal a densidade vegetativa no seu entorno. Resolveu afastar-se um pouco do rio, para ver se conseguia deslocar-se melhor. Após poucos minutos deparou-se com uma terra vermelha áspera, árida, despida, podia correr se lhe aprouvesse. Assim o fez. Em pouco tempo atingiu o seu destino. Ao banhar-se na água salgada do oceano sorriu e pensou como uma pequena inflexão no caminho pode ter resultados tão imediatos e significar a diferença entre caminhar indefinidamente por entre obstáculos intransponíveis e encontrar um caminho que realmente leve a algum lado.

Entre tantos defeitos do Homem algumas virtudes teriam que existir, a diversidade de opinião é a que mais valorizo. O apontar de caminhos alternativos. Quando existem muitas unanimidades a sociedade está doente e manipulada. Há sempre outro caminho. Há sempre alternativas. Por mais disparatadas que pareçam. Por mais ridículas que as queiram fazer parecer. O melhor caminho do mundo, se único, não será trilhado por mim. Quero ter sempre a alternativa de escolher o pior caminho, o meu!

domingo, 6 de julho de 2014

Maria

Maria, são teus sonhos imortais
Coloridos e geniais
De harmonia e orquestração sonora
Perpetuadas na Aurora

Eu sei,
Por isso te ajudei
Da tua ansiedade
Em partir para a cidade

A cumprir o teu tempo
Breve lamento
Cantado com alegria
Como há muito se não via

Qual primavera festiva
Felicidade furtiva
Meu amor presente
Meu futuro ausente

Minha lágrima salgada
Minha vida assaltada
O meu fado vindouro

Despojado do meu tesouro!

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Verdade

“A verdade dói, mas só ela cura. Dá um nó na garganta. Há uma lágrima que cai. O tempo não dá tréguas, nunca abranda. Seis meses já lá vão, desde que incompletámos. Por vezes parece uma luta desigual, qual D. Quixote a lutar contra moinhos de vento. Outras são prantos interiores, que deixam mossa. Outras fazemos parecer que tudo vai bem, embora as almas doloridas se arrastem miseráveis por catacumbas interiores inalcançáveis para observadores desatentos. Graças à energia absorvida de alguns (poucos) bons amigos destas horas adversas, vamos levantando do chão, embora por vezes outro tombo surja logo de seguida. Só podemos tombar se não estivermos já tombados. Presto homenagem aos que ajudaram neste período tão difícil, estão no nosso coração. Bem hajam.”

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Quem sou eu?

Quem sou eu? 

Nestes quatro anos africanos, se algo percebi sobre a pessoa que sou, compreendi que sou realmente português. Revejo-me no passado luso, independentemente, de episódios hoje politicamente incorrectos, das barbaridades cometidas. Sei que há episódios bastante tristes na história dos portugueses. Mas todos têm telhados de vidro. Além do que a história não é um conto de fadas, mas sim um registo factual de factos passados. Só conhecendo a história poderemos compreender o presente. Assim quem sou eu? Provenho de uma pequena comunidade agrícola. Limitada nos seus horizontes, porque auto-suficiente durante séculos. Educação baseada em princípios, tais como honra, trabalho, família, respeito. Gente modesta mas impoluta. Gentes de costas direitas. De princípios. Apanhei uma geração de mudança, com a industrialização da região. Cresci rodeado de livros. De música. Apanhei uma revolução antes de completar a primeira década. Assisti à primeira novela brasileira em Portugal, a Gabriela, Cravo e Canela, que nos mostrou outros modos de falar o português. E o gosto pelos livros do grande Jorge Amado. Embora já não tenha sido criado “à luz do candeeiro a petróleo” pude vivenciar o modo de vida dos meus avós, um, camponês que me passou o amor à terra, outro, sapateiro que sempre foi amigo de quem mais precisava, mesmo que a minha avó tivesse que andar atrás dos caloteiros para alimentar os filhos. Vi como se recebem “reis” em casas humildes, exactamente como os pedintes. Sempre houve um prato quente para quem dele precisou. A solidariedade nunca foi para mostrar nas colunas sociais, inexistentes de qualquer modo, mas sim algo intrínseco, como o ar que respiramos. Quem sou eu? Alguém para quem a honra não é uma palavra vã. Orgulhoso. Alguém que dá a camisa, independentemente de vir a precisar dela mais tarde. O único na família nesta actividade. Um idealista. Um amante das artes, das viagens. Alguém que adora a geografia, a sociologia, a história. Sou incapaz de ir a um lugar sem saber o que representa.

Como estou?

Retomei os sonhos. O gosto pelo pôr-do-sol. A geografia. A história. A filosofia. Sei que continuo incompleto. Talvez para todo o tempo que me resta. Estou grato. Mesmo se tantos me desapontaram, nestes quase, seis longos meses. Pois compreendi que mais importante que ter muitos amigos, é ter pelo menos um que conte, que faça a diferença, que se importe, que chore connosco, que nos passe energia. Estou incrédulo. A verdade continua a doer. Uma dor latente. Invisível. Presente. Estou mais sensível, mais frágil, mais forte, mais preparado, mais endurecido, mais próximo da verdade. Estou vivo e isso faz toda a diferença.

De que forma estou funcionando?

Uns dias a pilhas. Noutros em busca do Santo Graal. Nuns dias com vontade de chorar, noutros de ajudar. Ainda não sei por onde vou. Há muitos caminhos. Por um lado ainda bem, nunca gostei de unanimidades. Melhor uns dias, pior noutros. A rir e a chorar. Talvez mais extremo, agora não me basta o mais ou menos, o assim-assim. Estou mais exigente, mais ciente. Em busca. Com muitos sonhos, como uma criança solta no mundo, que se apercebe da sua pequenez, como um grão de areia numa praia. Não é nada. Mas a praia sem ela não é a mesma.

domingo, 15 de junho de 2014

Seis de Outubro de 1963

Aos seis de Outubro de 1963 foi inaugurada a barragem de Cambambe. Por Américo Tomás,  presidente da República. 

domingo, 8 de junho de 2014

Love caught me

Love caught me
Gave me no chance to run
Life brought me
To the arms of my hun
Wind send me
Wise notes of fun
Music gave me
Shades of the sun

Your voice melted frozen heart
As a rainbow over a golden sand ocean
Or the scent of a million flowers
Enlightening biggest towers
Like snow white’s potion

Was to Da Vinci’s art

terça-feira, 3 de junho de 2014

Reflexões

De volta ao cacimbo. O céu volta aos tons de cinza. As manhãs refrescam. As temperaturas sufocantes partiram para paragens distantes. A vida suaviza. A roda da vida gira sem cessar. Tão depressa estamos no alto da mais alta montanha, como estamos no fundo do vale mais profundo. Com o sufoco dos dias a afastar-se voltam os momentos de reflexão, agora possível, depois do início de ano inesperado, desesperado, transtornado e revoltado desde que nos conhecemos como gente.
Todos reclamamos contra a injustiça da vida. Ninguém está satisfeito com o que tem. Enquanto o mundo gira e avança, sucedem-se episódios dramáticos para quem os vive, rapidamente esquecidos por quem os rodeia. É assim que somos. É assim que é possível viver. A cada um as suas dores. Não podemos, nem queremos, acumular sofrenças alheias, que com certeza iremos necessitar sofrimentos próprios, mais cedo que mais tarde, na altura devida.
A cada inverno sucede sempre a primavera. A vida exige o recomeço, o ciclo, a morte. Quando tudo parece desesperar, surge a luz ao fundo do túnel. Quando a vida parece um conto de fadas, levamos um murro no estômago que nos tira o fôlego e nos faz tombar. Talvez a vida não seja injusta, talvez seja apenas vida. À falta de expectativas sobre o além, talvez devamos aproveitar esta vida do melhor jeito possível, com verdade, com tranquilidade, absorvendo cada instante como único e irrepetível.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Etosha


Uma diferença grande que sempre tive dos meus filhos e da Inês em particular, eu sou campo ela cidade, eu natureza ela betão, eu pó ela ar condicionado. O que temos em comum é o gosto pelo belo, cor, música, cinema, livros, amor.
Este fim-de-semana sempre fomos até Etosha, na Namíbia. Fiquei apaixonado. Um país cheio de espaço. Pouca gente, nenhuma confusão. Muita natureza. Arrumado. SEM LIXO. Gente tranquila. O parque é enorme ¼ de Portugal! Milhares de animais e muito espaço. O local certo para quem gosta de ver longe. Quilómetros de nada! Etosha, significa “Grande lugar branco”, não necessitamos de explicações quando lá chegamos, a terra é branca e o lugar é enorme.



Esta zona corresponde a um antigo lago, na época em que o rio Cunene corria para aqui, o branco é calcário e sal. A sensação de liberdade é incrível. Quilómetros de nada. No entanto Etosha abriga uma quantidade enorme de animais selvagens, que já perderam a batalha pela sobrevivência noutras paragens. Podemos percorrer todo o parque e não se vêm guardas em nenhum lado, nem lixo, nem turistas a desrespeitar as regras e passam por aqui 200.000 por ano. Quando o homem quer sabe respeitar o que o rodeia. A natureza é uma maravilha e é bom apanhar pó nestas demandas, mas tudo o que é de mais parece mal, ficámos no Mokuti Etosha Lodge, um rincão do paraíso.


Uma cozinha excepcional a juntar à cortesia do staff e à natureza omnipresente , com esquilos, e suricatas a correr por todo o lado, mais uns veados aparadores de relva.




O esquilo irrequieto



Para onde estarão todos a olhar?



Os aparadores de relva.

Cereais, mueslis, tábuas de queijos, frutas, carnes variadas incluindo caça, peixes saborosos, uma cozinha maravilhosa.
Fica a prova que quando respeitamos a natureza ela é pródiga e devolve-nos tudo com juros. Até o bem estar e a tranquilidade interior, o equilíbrio e a saudade.

Senti-me branco, imerso naquele mar de branco com uma miragem permanente ao longe…

domingo, 27 de abril de 2014

Etosha

Na próxima semana vou visitar e conhecer um parque de vida selvagem na Namíbia. Após mais três anos em África, finalmente vou ter, espero, a oportunidade de conhecer algo que até hoje só vi pela televisão. Coloco aqui a tradução que fiz de um prospecto do Parque Nacional de Etosha. Veremos se as expectativas são preenchidas, ultrapassadas ou apenas uma ilusão... Mas lá que promete, isso é inegável.

Antes de o Parque ser um Parque

O nome surge naturalmente, invocando imagens de caçadores-recolectores que estavam entre os primeiros residentes do Etosha National Park. O nome Hai||om é devido aos problemas experimentados pelos Hai||om com mosquitos e malária. Para afastar os mosquitos eles construíam andaimes de madeira com uma plataforma chamada ‘#heeb’ numa árvore e por baixo queimavam plantas que afastavam os mosquitos. Isto explica porque os Hai||om também são chamados ‘povo das árvores’ ou ‘moradores nas árvores.

Os homens caçavam usando uma combinação de sorte, perseguição paciente e o poder de uma seta envenenada para matar. As mulheres recolhiam comida a partir das plantas. Enquanto apenas três em cada dez caçadores Hai||om eram verdadeiramente especializados, a mulher nunca regressava a casa sem algo para comer – mesmo que isso representasse andar mais de 20 km em território de leões carregando uma criança às costas!


Hoje o Projecto Xoms |Omis, uma iniciativa que trabalha com os Hai||om para preservar a sua história cultural, económica e ambiental em Etosha, tem como objectivo proteger os laços dos Hai||om’s ao passado e à terra.



Namutoni

A construção do primeiro forte em Namutoni foi terminada em 1903. Era utilizado como posto de controlo num esforço para conter o alastrar da peste bovina que dizimava o sul e leste da África.

Em 1904, 500 soldados Owambo do Rei Nehale lya Mpin - gana de Ondonga, comandado pelo Capitão Shivute, atacou Namutoni. As tropas alemãs que nãp foram mortas durante os combates, fugiram a coberto da noite e o forte foi completamente queimado. Em 1905 o forte foi reconstruído e em 1906 o Primeiro Tenente Adolf Fischer tomou o comando. Fischer tornou-se o primeiro Guarda-de-Caça de Namutoni, e a depressão vizinha exibe o seu nome.

Em 1996, o primeiro Presidente da Namíbia, Dr Sam Nujoma, descerrou uma placa à entrada dos antigos estábulos de cavalos logo a norte de Namutoni. Honrando os 68 soldados Owambo que perderam as suas vidas na batalha de 1904, os 40 guerreiors que desapareceram e os 20 que regressaram a casa feridos.


incrível diminuição das fronteiras de Etosha


Em 1907 quando o Parque nacional de Etosha foi proclamado, estendia-se por aproximadamente 90 000 km2, na direcção noroeste até ao Rio Cunene e à costa. Isto transformou-o na maior reserva de caça do mundo. Mas em 1958 a área diminuiu para cerca de 55 000 km2. Em 1963, as fronteiras foram novamente redefinidas, reduzindo Etosha à sua área actual 22 935 km2, cerca de um quarto da área inicial.

Regresso ao futuro

As boas notícias são, mesmo abrangendo apenas uma fracção da sua área inicial, o Parque Nacional de Etosha é um ecossistema vital, suportando uma enorme variedade de plantas e animais. Outra boa notívia é que o Governo Namibiano, em estreira colaboração com o Conselho Regional do Kunene, as autoridades tradicionais, áreas comunais de conservação e outros proprietários locais, está neste momento a trabalhar para estabelecer o Parque do Povo do Kunene. O objectivo e interligar o Parque Nacional de Etosha e o Parque da Costa dos Esqueletos proclamando as três actuais áreas de concessão (Hobatare, Etendeka e Palmwag) e as zonas de conservação vizinhas. O Parque do Povo do Kunene visa não apenas restaurar rotas migratórias para a vida selvagem, mas também assegurar que muitas mais pessoas beneficiem das estratégias progressivas de conservação da Namíbia.


Rietfontein

Enquanto a abundante vida selvagem aprecia o alívio refrescante da charca de Rietfontein, há uma placa a poucas centenas de metros de distância que comemora os pioneiros de Dorsland, estes resistentes pioneiros que sairam da África do Sul em 1874 enfrentaram doenças, morte e outras calamidades imagináveis , chegaram a Rietfontein em 1879. Aqui descansaram, recuperando forças através da água doce providenciada pela fonte artesiana, e da abundante caça, antes de partir de novo, desta vez para Angola. Eventualmente muitos destes duros pioneiros regressaram aos campos dentro e à volta do que é hoje o Parque nacional de Etosha.

Sabia que…

…há muitos significados diferentes para o nome Etosha? Nas línguas locais o nome significa ‘ir para uma depressão’ ou ‘Onde a depressão está. O nome tem várias interpretações em Português: o local da Água Seca, o Grande Lugar Branco, ou Lugar do Vazio; Lago das Lágrimas de uma Mãe (isto explica a dor ilimitada de uma mãe Hai||om quando o seu filho morre); ‘Correr de modo titubeante através (ilustrando a fadiga que os primeiros caçadores sentiam quando tentavam atravessar a depressão); e o Hai||om ‘chum-chum’ do ruído feito pelos pés das pessoas ao andar através da depressão.

…Embora Etosha seja mais conhecida hoje como um espectacular refúgio para muitos animais, é também parte de um mundo que fornece evidência importante para a existência e evolução de animais ancestrais? As rochas nas colinas em redor de Halali revelaram vida fóssil com 650 milhões de anos!

…Em 1955 Etosha abriu as suas portas aos turistas pela primeira vez? Embora Etosha tenha existido como área protegida por mais de cem anos, só foi proclamado parque nacional em 1967.

www.met.gov.na

domingo, 6 de abril de 2014

Domingo

Após um dia de pesadas plúmbeas nuvens, impermeáveis ao sol, que mesmo nessas condições conseguiu aquecer os ares, não tanto como usualmente, mas o suficiente para as almas desejarem refrescar. A tranquilidade oferecida pelas notas do “Cherry on my cake” continuou a maré iniciada cedo pela manhã. Vi uma fantástica história narrada por um anjo que quase teve vontade de ser humano por uma vez… e que começou assim: “Um simples facto. Você vai morrer. Apesar de todos os esforços ninguém vive para sempre. Lamento ser tão desmancha-prazeres. O meu conselho é: Quando chegar o momento, não entre em pânico. Ao que parece, não ajuda nada. Julgo que devia apresentar-me adequadamente. Mas por outro lado, acabará sempre por me conhecer. Não antes da sua hora, claro. Tenho por hábito evitar os vivos.”
Mais um período, mais um ciclo, mais uma viagem que se aproxima prometendo resolver um défice de abraços. É nestes dias de quase viagem que as saudades apertam, que o coração fica pequenino, que as lágrimas assomam no canto do olho. É quando as memórias desabam qual cascata de águas tumultuosas despenhando-se na direcção de mares vagamente pressentidos.
Tempo de balanço. De balança. Prós e contras. Deve e haver. E as palavras do anjo a ecoar “Apesar de todos os esforços ninguém vive para sempre.”
No meio da amálgama em que tudo se transforma uma certeza emerge, “Vale a pena? Claro que sim. Quando estamos seguros do caminho que trilhamos, por mais obstáculos que surjam, por mais dúvidas que nos atinjam, continuamos a caminhar, sabendo que após uma das muitas curvas virá a recompensa “uma vista para o vale de leite e mel”…

Pode-se viajar tanto e sentir-se sempre em casa? Cada vez acho mais que sim. A minha casa é todo o mundo e todo o mundo é a minha casa. E há o regresso. A maravilha que é regressar a casa, só sabe o sabor que tem, quem tem o destino marcado por partidas e chegadas. Aos apertos no coração das partidas seguem-se cascatas de emoções nos regressos…

terça-feira, 18 de março de 2014

Desabafo

Somos razão. Somos emoção. Somos altruístas. Somos egoístas.
À compreensão (que não aceitação) do que se passou, seguem-se momentos de impotência, de desespero. Fraquejam as pernas. Fica um nó na garganta. A lágrima assoma no canto do olho.
Foi só um momento. Vários momentos.
Dou por mim a pensar como poderia ter sido. Que raiva, não poder voltar atrás…
Que faço agora?
Eu sei que tenho que seguir em frente. Isso é o óbvio.
Que faço agora?
Choro? Fecho-me ainda mais? Imploro? Solto uns ais?
Porquê?
Somos amigos. Somos inimigos. Somos bons. Somos maus.
Pensamos em nós como o centro do mundo. Mas o mundo não sabe. Nem sequer desconfia. Irrelevantes. Grão de areia no deserto. Gota de água no oceano.
Como conciliar sol e sombra? Água e sede? Frio e calor? Bem e mal? Amor e ódio? Dia e noite? Vida e morte?
Tudo isto existe, tudo isto está à nossa volta. Como é tão fácil perceber o conceito e tão difícil aceitar a realidade?
Como posso rir chorando? Como posso ir caminhando sabendo que me estou a afastar? Como posso não ir caminhando? Que faço?
Tremo de frio nesta quentura, qual navio numa aventura, não sei se tenho estrutura, nem sequer desenvoltura.
Temo que esteja a andar em círculos, para me não afastar. Como posso me afastar? Não sei para onde vou, só sei que tenho que andar. Um dia vou encontrar a direcção, um dia vou escutar meu coração, um dia vou ouvir a razão, um dia…
Yin e yang, preto e branco, bem e mal, razão e coração?

Contradições, quem as não tem? Não estou tão mal assim. Só  precisava desabafar.

Quero pedir desculpa a todas as mulheres

Quero pedir desculpas a todas as mulheres que descrevi como bonitas antes de dizer inteligentes ou corajosas Fico triste por ter falado como...