Estes escritos representam acima de tudo estados de espirito. Dia a dia de um português em Portugal
sábado, 17 de maio de 2008
Troca das sextas com domingos
Domingo, 11 de Maio. Esta história de folgar às sextas e trabalhar aos sábados e domingos, faz-me perder completamente a noção do dia em que me encontro. Normalmente, só dou por isso ao ver a televisão. Estamos quase, quase a começar o betão. Espero que seja para não parar. A logística funciona mal, para ajudar à desgraça perdemos dois engenheiros, o mecânico e o das obras de arte, o Carlos Silva e o Houari. Vamos ver se serão bem substituídos. Estamos em contra-relógio devido à iminente chegada da chuva, se a dita adiantar a vinda, teremos problemas. Gastronomicamente continuo a surpreender-me, ontem comi lapas, vindas da Madeira e preparadas por mim. Estavam um espectáculo. Em Abril tinha comido ostras, vindas de Marrocos. Já comi mais javali, aqui, que em toda a minha vida. Agora tenho saudades de uma pizza, tenho que falar nisso à Joni. O Haiba está com paludismo, relembra-nos os cuidados a ter, a nunca baixar a guarda. O relógio biológico começa a adaptar-se a África. As coisas aqui não são para fazer, são para ir fazendo. E o melhor é não forçar, pois caso contrário é difícil manter a sanidade mental. “Doucement”, “Aprés” e “pas de problem” são as palavras preferidas por aqui. Mas tudo bem. Dá para pôr ordem nas ideias. Hoje acaba o campeonato de futebol, parti para aqui na altura da 1ª jornada. Vamos ver se o Sporting não estraga tudo no último jogo.
sábado, 10 de maio de 2008
Encontro dos Pereiras
Sábado, 10 de Maio. Afinal a festa dos Pereiras é hoje. Em casa da Tia Elisa. Não estou lá fisicamente mas espiritualmente, sim, sem dúvida. Na vida o que conta são as emoções, os sentimentos, a capacidade de apreciar o que nos rodeia e quem caminha connosco, neste caminho da vida. Sinto que algo mudou em mim. Talvez a vastidão de África tenha algo a ver…
A Mauritânia é vasta, cerca de 11 vezes o tamanho de Portugal. É também pouco povoada, cerca de 3 milhões de pessoas. As distâncias são enormes. A liberdade que gozamos aqui, num aparente paradoxo, num país islâmico e forte aparato policial, permite-nos sensações contraditórias, desde que estejamos com espírito aberto para receber impulsos, experiências inesquecíveis. É certo que o primeiro impacto é brutal, esmaga-nos, muitos desistem logo. Outros refugiam-se em vícios, novos ou pré-existentes. Quem suportar tudo isso, tem um caminho inolvidável a percorrer aqui. Vejamos, estamos num extremo do país, aqui os mouros não são maioritários. Estamos em terra Soninke. Há no entanto Pulares e Wolofs, mais gente de muitos outros países africanos, na sua demanda para norte, para a Europa. A confusão linguística é enorme. A variedade genética é tão grande que os tipos de pessoas quase não se repetem. A temporada seca vai longa. Para muitas pessoas o dia é passado em busca de água, para elas e para o seu precioso gado. Agora compreendo a felicidade, já por mim testemunhada, irradiada por todos, aquando da chuva. Vamos fazendo amigos. Já posso ir a muitas povoações, de três países, Mauritânia, Mali e Senegal, e ser reconhecido e cumprimentado por muitas pessoas. Aqui sou um Toubab. O que me dá também responsabilidades acrescidas. Embora longe daqueles que amo, mesmo a trabalhar seis dias por semana, de sol a sol, ainda sobra tempo para encher os sentidos. São cores, cheiros, sons. São pessoas, animais, plantas. É o vento, o pó, a chuva. E é a música. Estou constantemente a ouvir música. A tecnologia facilita muito as coisas, tenho internet móvel, electricidade sem estar ligado à rede eléctrica. Temos toda a água que queremos. A nossa horta é regada duas ou três vezes ao dia. Vejo a TV portuguesa. Leio os jornais portugueses. Ouço a rádio portuguesa. “This is a beautiful world”.
A Mauritânia é vasta, cerca de 11 vezes o tamanho de Portugal. É também pouco povoada, cerca de 3 milhões de pessoas. As distâncias são enormes. A liberdade que gozamos aqui, num aparente paradoxo, num país islâmico e forte aparato policial, permite-nos sensações contraditórias, desde que estejamos com espírito aberto para receber impulsos, experiências inesquecíveis. É certo que o primeiro impacto é brutal, esmaga-nos, muitos desistem logo. Outros refugiam-se em vícios, novos ou pré-existentes. Quem suportar tudo isso, tem um caminho inolvidável a percorrer aqui. Vejamos, estamos num extremo do país, aqui os mouros não são maioritários. Estamos em terra Soninke. Há no entanto Pulares e Wolofs, mais gente de muitos outros países africanos, na sua demanda para norte, para a Europa. A confusão linguística é enorme. A variedade genética é tão grande que os tipos de pessoas quase não se repetem. A temporada seca vai longa. Para muitas pessoas o dia é passado em busca de água, para elas e para o seu precioso gado. Agora compreendo a felicidade, já por mim testemunhada, irradiada por todos, aquando da chuva. Vamos fazendo amigos. Já posso ir a muitas povoações, de três países, Mauritânia, Mali e Senegal, e ser reconhecido e cumprimentado por muitas pessoas. Aqui sou um Toubab. O que me dá também responsabilidades acrescidas. Embora longe daqueles que amo, mesmo a trabalhar seis dias por semana, de sol a sol, ainda sobra tempo para encher os sentidos. São cores, cheiros, sons. São pessoas, animais, plantas. É o vento, o pó, a chuva. E é a música. Estou constantemente a ouvir música. A tecnologia facilita muito as coisas, tenho internet móvel, electricidade sem estar ligado à rede eléctrica. Temos toda a água que queremos. A nossa horta é regada duas ou três vezes ao dia. Vejo a TV portuguesa. Leio os jornais portugueses. Ouço a rádio portuguesa. “This is a beautiful world”.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
De regresso
5ª Feira, 8 de Maio. É quase meia-noite. Cheguei do casamento do Sy. Fui eu que transportei a noiva. Atravessámos a cidade a buzinar e com as mulheres aos gritos de alegria. A festa segue animada. Volto a escrever após cinco meses… É estranho ter-me ausentado precisamente quando consegui um equilíbrio espiritual. Desde Janeiro, que me sinto feliz, estou a atravessar uma fase engraçada da minha existência. Desde a última vez que escrevi, os portugueses em Selibaby, passaram de 7 para 25. A nossa casa está a ficar engraçada. Tenho uma horta, que muito contribuiu para a paz que sinto. Já demos dois passeios de barco no rio Senegal, o último, no 1º Maio, desde Diagili a Tafasirga, no Mali, foi espectacular. Parámos numa praia e fomos todos nadar no rio. Fui a Casa na Páscoa, demos um salto a Paris, fomos ao museu Guggenheim, em Bilbau, ao Futuroscope, em Poitiers. De regresso passei mais de duas semanas em Kaédi, e compreendi que gosto mais de estar em Selibaby. Os nossos problemas começam a ser engraçados. Um mesmo giro é estarmos a precisar de uma arca frigorifica para guardar facocheros… Não há fome que não dê em fartura. Outra engraçada, depois de ter sido guia turístico por volta dos vinte anos, nunca esperei vir para a Mauritânia organizar passeios de barco pelo rio Senegal. A temperatura varia entre o tórrido e o escaldante. Entre 40 e 50. A água fria … queima. Ah, temos uma piscina. Não consigo exprimir a sensação de após um dia de trabalho, dar um mergulho e sair da água, com uma sensação de … frio. Quando estão mais de 40 graus e toda a gente está a transpirar. Tenho estado pouco com os meus amigos americanos, ou sou eu ou são eles que estão ausentes. A maioria do “Selibaby gang” parte definitivamente em Julho. Na vida o movimento é constante, a partida e chegada, acontecem todos os dias. Há sempre algo de novo. A chuva chegará em breve. Espero que não tarde, pois não consigo compreender como esta gente viverá se a água tardar. Faço já planos para futuros passeios, o parque nacional da ilha de Arguim, não sai da minha cabeça. O director é português, o parque é um dos grandes santuários de aves. Ainda vamos um dia até à Guiné. A AFA ficou bem posicionada no concurso para a construção da estrada Mbout – Selibaby, vamos ver o que isto vai dar. Ao reler o que escrevi, vejo que estou a saltitar de assunto em assunto, mas a ausência foi grande. Para a semana é o encontro anual dos Pereiras e eu aqui. No meu regresso no 1 de Abril, ninguém me esperava em Dakar, após muitos telefonemas e confusões, cheguei ao Senegal, às 2h30m da manhã, aluguei um táxi pelas 11h30m, cheguei a Bakel à uma da manhã, o hotel estava fechado e não me responderam quando chamei. No Chez Marie Jeanne, idem. Fiz então algo que para mim foi novidade, dormi na rua, junto ao rio, na fronteira. Amanhã é dia de Bakel e está a ficar tarde, continuo depois, não posso voltar a ausentar-me por tanto tempo.
Ano Novo
2ª Feira, 17 de Dezembro. Um salto à obra para fazer o acerto da medição até ao dia de hoje. Pelas 10 horas, já tinha enviado o email com a produção para o Jamaldine e para o Jorge Ferreira. O Zé Manuel está a acabar a camada, pelas 12 horas manda tudo parar. Amanhã saímos daqui. Agora que se aproxima a hora, o tempo custa a passar. Hoje completo 121 dias na Mauritânia.
3ª Feira, 18 de Dezembro. Saímos de Selibaby pelas 7h30m, Paramos em Kaédi para almoçar, e eu para receber o meu bubu e o cafetão do Xavier. Revejo a malta da Tâmega, há já dois meses que não os via. Chegamos a Nouakchott pelas 18 horas, a alteração da cidade é imensa, agora há carros de recolha de lixo. O trânsito é caótico e imenso. No escritório recebemos os bilhetes. Fomos pôr a bagagem ao hotel. Saímos para beber uma cerveja. Depois fomos jantar ao “Al Andaluz”, restaurante espanhol, onde ficámos todos de boca aberta a ver as flores, compreendi que há 4 meses não via flores… Junto à entrada havia um arbusto engraçado, com um aroma muito vivo, alguns clientes chegavam mesmo a cortar alguns ramos para levar, era cannabis. Depois de um belo jantar, com entrada de melão e presunto, mais uma salada de polvo, de dourada grelhada, regada por um belo vinho tinto de Rioja, bebemos um uisquinho. Comecei a sentir-me mal, não saí com o pessoal, fiquei no hotel.
4ª Feira, 19 de Dezembro. O nosso avião saiu com 4 horas de atraso, mas como iríamos ficar bastante tempo em Dakar, não houve problema. Ainda deu para conhecermos uma portuguesa que vive em Nouakchott e é pintora.
5ª Feira, 20 de Dezembro. Pelas 7h20m, o avião da TAP toca no solo em Lisboa. Está muito frio, chove. Finalmente pelas 9 e meia chego a casa. O Xavier e a Inês abrem-me a porta. Férias!
5ª Feira, 3 de Janeiro. Novamente na Portela, para apanhar o avião TAP para Dakar. Trouxe duas malas tão cheias, que não passam no chek-in. Valeu o Arlindo, passei-lhe parte do peso. O problema foi em Dakar, pois a viagem de Dakar para Nouakchott, era pela Air Senegal e aí, só podia levar 25 kg e eu tinha 60… Despachei uma mala pelo Arlindo, pedindo-lhe para ma levar a Bakel, levei a outra.
6ª Feira, 4 de Janeiro. Após quase vinte horas em Dakar, onde fui molhar os pés à praia, fomos surpreendidos com o aviso de última chamada para o voo de Nouakchott, porque este ocorreu uma hora antes do previsto…
Sábado, 5 de Janeiro. Saí com o Baltazar pelas 7 horas da manhã. Viemos na Isuzu. Anda que se farta. Chegámos a Selibaby pelas 16h30m. Só cá estavam o Houari, o Jamaldine e o Hassane, que nos fizeram uma grande festa. Descobri que a internet não funciona, não foi paga…
Domingo, 6 de Janeiro. Dia de trabalho normal, agora é assim. Marquei logo uma grande extensão, na zona do Oed ao 10+500 e em Jedida, onde os gajos me arrancaram dois km de estacas… Assim não dá. Telefonei a dar os parabéns à Augusta.
2ª Feira, 7 de Janeiro. Tive que voltar a Jedida, para voltar a pôr de pé as estacas de ontem e marcar até ao 14+750. Chegaram o Zé Manuel e o Luís, mais o João.
3ª Feira, 8 de Janeiro. De volta a Jedida, mais uma vez voltar a marcar o mesmo da véspera, ia-me passando. Fartei-me de ralhar. O Zé Manuel foi falar com a polícia.
4ª Feira, 9 de Janeiro. Mais uma vez em Jedida, para o mesmo. Marquei também cotas desde o 9+500 ao 10+425. Só ao meio dia soube que era feriado. Dia de ano novo para os muçulmanos. Ninguém disse nada, “raios partam”. A estrada de Tambacounda para Bakel está boa e é asfaltada. O Arlindo pode vir trazer a minha mala.
5ª Feira, 10 de Janeiro. O mesmo em Jedida.
3ª Feira, 18 de Dezembro. Saímos de Selibaby pelas 7h30m, Paramos em Kaédi para almoçar, e eu para receber o meu bubu e o cafetão do Xavier. Revejo a malta da Tâmega, há já dois meses que não os via. Chegamos a Nouakchott pelas 18 horas, a alteração da cidade é imensa, agora há carros de recolha de lixo. O trânsito é caótico e imenso. No escritório recebemos os bilhetes. Fomos pôr a bagagem ao hotel. Saímos para beber uma cerveja. Depois fomos jantar ao “Al Andaluz”, restaurante espanhol, onde ficámos todos de boca aberta a ver as flores, compreendi que há 4 meses não via flores… Junto à entrada havia um arbusto engraçado, com um aroma muito vivo, alguns clientes chegavam mesmo a cortar alguns ramos para levar, era cannabis. Depois de um belo jantar, com entrada de melão e presunto, mais uma salada de polvo, de dourada grelhada, regada por um belo vinho tinto de Rioja, bebemos um uisquinho. Comecei a sentir-me mal, não saí com o pessoal, fiquei no hotel.
4ª Feira, 19 de Dezembro. O nosso avião saiu com 4 horas de atraso, mas como iríamos ficar bastante tempo em Dakar, não houve problema. Ainda deu para conhecermos uma portuguesa que vive em Nouakchott e é pintora.
5ª Feira, 20 de Dezembro. Pelas 7h20m, o avião da TAP toca no solo em Lisboa. Está muito frio, chove. Finalmente pelas 9 e meia chego a casa. O Xavier e a Inês abrem-me a porta. Férias!
5ª Feira, 3 de Janeiro. Novamente na Portela, para apanhar o avião TAP para Dakar. Trouxe duas malas tão cheias, que não passam no chek-in. Valeu o Arlindo, passei-lhe parte do peso. O problema foi em Dakar, pois a viagem de Dakar para Nouakchott, era pela Air Senegal e aí, só podia levar 25 kg e eu tinha 60… Despachei uma mala pelo Arlindo, pedindo-lhe para ma levar a Bakel, levei a outra.
6ª Feira, 4 de Janeiro. Após quase vinte horas em Dakar, onde fui molhar os pés à praia, fomos surpreendidos com o aviso de última chamada para o voo de Nouakchott, porque este ocorreu uma hora antes do previsto…
Sábado, 5 de Janeiro. Saí com o Baltazar pelas 7 horas da manhã. Viemos na Isuzu. Anda que se farta. Chegámos a Selibaby pelas 16h30m. Só cá estavam o Houari, o Jamaldine e o Hassane, que nos fizeram uma grande festa. Descobri que a internet não funciona, não foi paga…
Domingo, 6 de Janeiro. Dia de trabalho normal, agora é assim. Marquei logo uma grande extensão, na zona do Oed ao 10+500 e em Jedida, onde os gajos me arrancaram dois km de estacas… Assim não dá. Telefonei a dar os parabéns à Augusta.
2ª Feira, 7 de Janeiro. Tive que voltar a Jedida, para voltar a pôr de pé as estacas de ontem e marcar até ao 14+750. Chegaram o Zé Manuel e o Luís, mais o João.
3ª Feira, 8 de Janeiro. De volta a Jedida, mais uma vez voltar a marcar o mesmo da véspera, ia-me passando. Fartei-me de ralhar. O Zé Manuel foi falar com a polícia.
4ª Feira, 9 de Janeiro. Mais uma vez em Jedida, para o mesmo. Marquei também cotas desde o 9+500 ao 10+425. Só ao meio dia soube que era feriado. Dia de ano novo para os muçulmanos. Ninguém disse nada, “raios partam”. A estrada de Tambacounda para Bakel está boa e é asfaltada. O Arlindo pode vir trazer a minha mala.
5ª Feira, 10 de Janeiro. O mesmo em Jedida.
domingo, 16 de dezembro de 2007
Faltam dois dias...
5ª Feira, 13 de Dezembro. Comecei a marcar offset outra vez, cheguei ao 14+500. Finalmente cheguei a Jedida. O Zé Manuel começou a aplicar material do “nosso” empréstimo.
6ª Feira, 14 de Dezembro. Continuamos nos offset. Após uma hora, saltou um pedaço do guilho metálico, ficou cravado no braço do Haiba. Fomos ao hospital. A falta de higiene, no consultório do médico chinês era tão grande, que os mauritanos ficaram impressionados. A minha carrinha começou a fazer barulho na roda esquerda da frente, vim à oficina, não acharam nada. Voltámos a Jedida. Marcámos até ao 15+300. Quando regressávamos a Selibaby, a carrinha bloqueou. Não saia nem por nada. Chamei o Baltazar. Tinha um furo do reservatório do óleo do diferencial. Um rolamento gripado.
Sábado, 15 de Dezembro. Continuei a marcar os offset. Levei a carrinha do Jamaldine. Marcámos até ao 16+675. Está marcado o que foi pedido. Os voluntários do Peace corps estão de regresso a Selibaby, convidaram-me para jantar. Sabe sempre bem variar de cozinheiro e de companhia. Portugueses aqui em Selibaby somos só sete. Ao fim de algum tempo estamos fartos uns dos outros.
Domingo, 16 de Dezembro. Fui à obra de manhã, está tudo a correr bem. Pela segunda vez não vou a Bakel num domingo. Desta vez é por não ter o meu carro. E saímos daqui já na terça feira. Amanhã as máquinas voltam à base. Para ficarem seguras durante as férias.
6ª Feira, 14 de Dezembro. Continuamos nos offset. Após uma hora, saltou um pedaço do guilho metálico, ficou cravado no braço do Haiba. Fomos ao hospital. A falta de higiene, no consultório do médico chinês era tão grande, que os mauritanos ficaram impressionados. A minha carrinha começou a fazer barulho na roda esquerda da frente, vim à oficina, não acharam nada. Voltámos a Jedida. Marcámos até ao 15+300. Quando regressávamos a Selibaby, a carrinha bloqueou. Não saia nem por nada. Chamei o Baltazar. Tinha um furo do reservatório do óleo do diferencial. Um rolamento gripado.
Sábado, 15 de Dezembro. Continuei a marcar os offset. Levei a carrinha do Jamaldine. Marcámos até ao 16+675. Está marcado o que foi pedido. Os voluntários do Peace corps estão de regresso a Selibaby, convidaram-me para jantar. Sabe sempre bem variar de cozinheiro e de companhia. Portugueses aqui em Selibaby somos só sete. Ao fim de algum tempo estamos fartos uns dos outros.
Domingo, 16 de Dezembro. Fui à obra de manhã, está tudo a correr bem. Pela segunda vez não vou a Bakel num domingo. Desta vez é por não ter o meu carro. E saímos daqui já na terça feira. Amanhã as máquinas voltam à base. Para ficarem seguras durante as férias.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Já só falta uma semana
3ª Feira, 4 de Dezembro. Tive que voltar a marcar os offset desde o Pk 4000 ao 4600, não restava nem uma estaquinha. Chegou o Eng. Jorge Ferreira com o Agrela.
4ª Feira, 5 de Dezembro. O Niang, chegou à obra, ao Pk 2+700 e mandou parar tudo. Tinha havido queixas devido ao pó. Passado um pouco, deixou recomeçar, depois do Zé Manuel, regar a pista. Disse mal do material, à tarde ficou de boca aberta, com a qualidade do aterro. O patrão começou a pôr as coisas a mexer. À tarde o meu porta-miras Niang, pôs a parabólica do Hispasat a trabalhar. Finalmente vamos ter TV Cabo.
5ª Feira, 5 de Dezembro. Tive que voltar a Tachot para marcar de novo as OA74 e 75, algumas estacas desapareceram e os tipos das sondagens estavam lá à nora.
6ª Feira, 6 de Dezembro. Fui com o Jamaldine e o pessoal dos furos, ver possíveis localizações para abrir os furos para termos água para a obra. Procurei também um empréstimo para o aterro do Pk 10000. Achei uma colina que me pareceu boa escolha. Levei lá o Jamaldine, que também achou promissor o local. Para ter os resultados antes de partir para as festas, o Hassan precisa das sondagens amanhã de manhã.
Sábado, 7 de Dezembro. Peguei no Zé Manuel e fomos para o local do empréstimo no Pk 10000. A giratória foi lá ter. Começou a abrir sondagens e decepção total, só dava xisto. Para não perdermos a viagem, decidimos ir ver outra colina perto, de caminho mandámos a giratória abrir sondagens na baixa. Continuava a dar xisto. Até que, surpresa das surpresas, demos com um filão de Laterite. Abrimos mais sondagens e isolámos a zona. Pensamos que terá cerca de 40000 m3 de Laterite. Como não somos especialistas, ligámos ao Hassan, dissemos-lhe que tínhamos encontrado Laterite e ele disse logo que já ia a caminho. Quando chegou, vi-lhe um sorriso rasgado. Disse “Parece que estou no Senegal, assim está bem.” Ganhámos o dia. Não estava previsto haver Laterite na zona. A Laterite está, a meio do traçado, a cerca de 400 metros do eixo, com um acesso fácil, e é só carregar e utilizar. Hoje vamos ter jantar na base. Já temos o que comemorar. O jantar correu muito bem, o Messias fez o jantar, veio toda a gente. O Agrela gostou. Vieram a Caren e a Amanda. Jantámos no nosso anexo. Matei um escorpião.
Domingo, 9 de Dezembro. Às 7 da manhã, saímos para Bakel. Três carros. O Messias mais o António, Eu o Jamaldine, o Hassan, a Caren, a Amanda e a Kim. Viagem boa, nos dois sentidos. Boa estada no Senegal. O Zé Manuel ficou a trabalhar. Fez cerca de 2.5 km de decapagem. O Luís hoje não foi connosco, foi levar o patrão a Nouakchot.
2ª Feira, 10 de Dezembro. Fui mostrar o empréstimo ao Jamaldine e ao Houari. O Jamaldine gostou bastante do que viu. À noite ligou-me a Joni, estava a fazer pizza. O Silvain chegou de Nouakchot com queijo. Levou também bom vinho francês. Soube mesmo bem.
3ª Feira, 11 de Dezembro. Chegou o Pedro. Partiram o Jamaldine e o Houari. Fui com o Mamouni fazer o ponto da situação mensal. Ele ficou de fazer o levantamento das cotas para dar uma aproximação melhor.
4ª Feira, 12 de Dezembro. Fui com o Pedro e o Hassan ver os empréstimos. De tarde fiquei com eles no laboratório. A minha carrinha fez a revisão. Só a levantei pelas 17h. E já só falta uma semana.
4ª Feira, 5 de Dezembro. O Niang, chegou à obra, ao Pk 2+700 e mandou parar tudo. Tinha havido queixas devido ao pó. Passado um pouco, deixou recomeçar, depois do Zé Manuel, regar a pista. Disse mal do material, à tarde ficou de boca aberta, com a qualidade do aterro. O patrão começou a pôr as coisas a mexer. À tarde o meu porta-miras Niang, pôs a parabólica do Hispasat a trabalhar. Finalmente vamos ter TV Cabo.
5ª Feira, 5 de Dezembro. Tive que voltar a Tachot para marcar de novo as OA74 e 75, algumas estacas desapareceram e os tipos das sondagens estavam lá à nora.
6ª Feira, 6 de Dezembro. Fui com o Jamaldine e o pessoal dos furos, ver possíveis localizações para abrir os furos para termos água para a obra. Procurei também um empréstimo para o aterro do Pk 10000. Achei uma colina que me pareceu boa escolha. Levei lá o Jamaldine, que também achou promissor o local. Para ter os resultados antes de partir para as festas, o Hassan precisa das sondagens amanhã de manhã.
Sábado, 7 de Dezembro. Peguei no Zé Manuel e fomos para o local do empréstimo no Pk 10000. A giratória foi lá ter. Começou a abrir sondagens e decepção total, só dava xisto. Para não perdermos a viagem, decidimos ir ver outra colina perto, de caminho mandámos a giratória abrir sondagens na baixa. Continuava a dar xisto. Até que, surpresa das surpresas, demos com um filão de Laterite. Abrimos mais sondagens e isolámos a zona. Pensamos que terá cerca de 40000 m3 de Laterite. Como não somos especialistas, ligámos ao Hassan, dissemos-lhe que tínhamos encontrado Laterite e ele disse logo que já ia a caminho. Quando chegou, vi-lhe um sorriso rasgado. Disse “Parece que estou no Senegal, assim está bem.” Ganhámos o dia. Não estava previsto haver Laterite na zona. A Laterite está, a meio do traçado, a cerca de 400 metros do eixo, com um acesso fácil, e é só carregar e utilizar. Hoje vamos ter jantar na base. Já temos o que comemorar. O jantar correu muito bem, o Messias fez o jantar, veio toda a gente. O Agrela gostou. Vieram a Caren e a Amanda. Jantámos no nosso anexo. Matei um escorpião.
Domingo, 9 de Dezembro. Às 7 da manhã, saímos para Bakel. Três carros. O Messias mais o António, Eu o Jamaldine, o Hassan, a Caren, a Amanda e a Kim. Viagem boa, nos dois sentidos. Boa estada no Senegal. O Zé Manuel ficou a trabalhar. Fez cerca de 2.5 km de decapagem. O Luís hoje não foi connosco, foi levar o patrão a Nouakchot.
2ª Feira, 10 de Dezembro. Fui mostrar o empréstimo ao Jamaldine e ao Houari. O Jamaldine gostou bastante do que viu. À noite ligou-me a Joni, estava a fazer pizza. O Silvain chegou de Nouakchot com queijo. Levou também bom vinho francês. Soube mesmo bem.
3ª Feira, 11 de Dezembro. Chegou o Pedro. Partiram o Jamaldine e o Houari. Fui com o Mamouni fazer o ponto da situação mensal. Ele ficou de fazer o levantamento das cotas para dar uma aproximação melhor.
4ª Feira, 12 de Dezembro. Fui com o Pedro e o Hassan ver os empréstimos. De tarde fiquei com eles no laboratório. A minha carrinha fez a revisão. Só a levantei pelas 17h. E já só falta uma semana.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Já cheira a casa
3ª Feira, 27 de Novembro. Soubemos hoje que amanhã é feriado. Fixe. Tenho andado a fazer de intérprete.
4ª Feira, 28 de Novembro. Feriado na Mauritânia. Dia da Independência. Fizemos o almoço em casa. Dois cabritos. Guisados. Só a Caren veio, dos americanos. Gostou. Foi um dia calmo. Conversámos muito, a casa esteve sempre cheia.
5ª Feira, 29 de Novembro. O Messias telefonou a dizer que ia casar, no sábado, em Kaédi. O pessoal fartou-se de rir. Convidou-me para padrinho de casamento.
6ª Feira, 30 de Novembro. O dia começou mal. Dormi mal. Estava mal disposto. Ralhei com toda a gente. Chateei-me com o Michel. Já há uns dias que não usava o GPS, quando precisei a caderneta estava sem bateria. O Houari, disse-me que tinha as coordenadas da OA 84, Oed Salem. Parti para lá. Estava a chegar quando me ligou a dizer que tinha as coordenadas das pontes de Tachot. Tive que lá voltar. Mas ficaram todas marcadas. O pessoal das sondagens começou logo a trabalhar. Li as short stories, até ao fim. Gostei. Tenho que reler. Estou com saudades de casa. Começa a ser difícil suportar.
Sábado, 1 de Dezembro. Saí de Selibaby, pelas 8h da manhã. Com o Houari, o Khalid e o Luís Filipe. Fomos ver as OH’s desde o pk 28 até Gouraye. Dia de muito trabalho, com visitas a 30 OH. Saímos de Gouraye pelas 17h45m, ficámos atascados no sítio do costume. Chegámos a Selibaby pelas 20h45m. Após muitas peripécias. E muito ralhar, uns com os outros.
Domingo, 2 de Dezembro. Levantei-me às 7 e meia. Fui tomar o pequeno-almoço. Cheguei à base pelas 8h. O jipe do Houari tinha um furo. Pediu-me a carrinha para ir comer. Ligou-me pelas 10h a dizer que ia à obra. Ok. Pedi-lhe o carregador do Hassan, disse-me para ir a casa dele buscá-lo. Fui. Estava fechada. Ninguém abriu. Quando dei por isso, estava na base, sozinho. Sem crédito no telefone. Sem dinheiro. Sem carga no computador, tive que desligá-lo, quando falava com o Xavier. E sem carro. Quando dei por isso, já tinha bebido umas bejecas e uns whiskies, antes de almoço. Para primeiro domingo sem ir a Bakel… Quando o pessoal chegou, tratei-os mal. Depois do almoço, fui ter a casa do Nick, que não estava, e fiquei por lá a tarde toda. Estava a ficar admirado, por ainda não ter tido esta conversa. A Caren, Amanda e a Kim, são afro-americanas. Veio finalmente à baila a questão do racismo. Boa discussão. Penso que produtiva.
2ª Feira, 3 de Dezembro. Arranquei de manhã na direcção de Mbout, para marcar a OA40. Finalmente acabei de marcar as OA’s do lote 2. Dois meses e meio depois de começar. Marquei-as todas poucas horas depois de receber as coordenadas. Só não ficaram marcadas antes porque a Norvia não as enviou.
4ª Feira, 28 de Novembro. Feriado na Mauritânia. Dia da Independência. Fizemos o almoço em casa. Dois cabritos. Guisados. Só a Caren veio, dos americanos. Gostou. Foi um dia calmo. Conversámos muito, a casa esteve sempre cheia.
5ª Feira, 29 de Novembro. O Messias telefonou a dizer que ia casar, no sábado, em Kaédi. O pessoal fartou-se de rir. Convidou-me para padrinho de casamento.
6ª Feira, 30 de Novembro. O dia começou mal. Dormi mal. Estava mal disposto. Ralhei com toda a gente. Chateei-me com o Michel. Já há uns dias que não usava o GPS, quando precisei a caderneta estava sem bateria. O Houari, disse-me que tinha as coordenadas da OA 84, Oed Salem. Parti para lá. Estava a chegar quando me ligou a dizer que tinha as coordenadas das pontes de Tachot. Tive que lá voltar. Mas ficaram todas marcadas. O pessoal das sondagens começou logo a trabalhar. Li as short stories, até ao fim. Gostei. Tenho que reler. Estou com saudades de casa. Começa a ser difícil suportar.
Sábado, 1 de Dezembro. Saí de Selibaby, pelas 8h da manhã. Com o Houari, o Khalid e o Luís Filipe. Fomos ver as OH’s desde o pk 28 até Gouraye. Dia de muito trabalho, com visitas a 30 OH. Saímos de Gouraye pelas 17h45m, ficámos atascados no sítio do costume. Chegámos a Selibaby pelas 20h45m. Após muitas peripécias. E muito ralhar, uns com os outros.
Domingo, 2 de Dezembro. Levantei-me às 7 e meia. Fui tomar o pequeno-almoço. Cheguei à base pelas 8h. O jipe do Houari tinha um furo. Pediu-me a carrinha para ir comer. Ligou-me pelas 10h a dizer que ia à obra. Ok. Pedi-lhe o carregador do Hassan, disse-me para ir a casa dele buscá-lo. Fui. Estava fechada. Ninguém abriu. Quando dei por isso, estava na base, sozinho. Sem crédito no telefone. Sem dinheiro. Sem carga no computador, tive que desligá-lo, quando falava com o Xavier. E sem carro. Quando dei por isso, já tinha bebido umas bejecas e uns whiskies, antes de almoço. Para primeiro domingo sem ir a Bakel… Quando o pessoal chegou, tratei-os mal. Depois do almoço, fui ter a casa do Nick, que não estava, e fiquei por lá a tarde toda. Estava a ficar admirado, por ainda não ter tido esta conversa. A Caren, Amanda e a Kim, são afro-americanas. Veio finalmente à baila a questão do racismo. Boa discussão. Penso que produtiva.
2ª Feira, 3 de Dezembro. Arranquei de manhã na direcção de Mbout, para marcar a OA40. Finalmente acabei de marcar as OA’s do lote 2. Dois meses e meio depois de começar. Marquei-as todas poucas horas depois de receber as coordenadas. Só não ficaram marcadas antes porque a Norvia não as enviou.
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Anos do Aires
3ª Feira, 20 de Novembro. Logo de manhã vou marcar as pontes de Moudji, agora já está tudo, podem fazer as sondagens à vontade. Depois de almoço, fico na base com o Luís para ver se conseguimos deixar as coisas mais ou menos. Começamos a preparar tudo mais o Aires, quando chega o Jamaldine a pedir para ir com ele fotografar o D8 ao aeroporto, lá vamos também é perto e não custa nada. Depois das fotos pediu-me para ir com ele à obra, e as horas a passar, chego à base já são quase 6h, fui pedir o jipe ao Houari e arranquei para ir buscar os amigos americanos, vieram 9. O Messias estava fulo por ter chegado e apanhar a casa fechada, faltarem os espetos, a cerveja não estar fria… tudo se resolveu a bem. A festa foi excepcional. Só me deitei por volta das 3h, depois de longa conversa com a Amanda. Quem havia de esperar vir para um fim do mundo destes e encontrar malta tão porreira. Posso-me considerar um homem feliz, tenho amigos verdadeiros, até aqui. E finalmente dormi bem.
4ª Feira, 21 de Novembro. Ir à obra dar um apoio ao Zé Manuel, ver como estão as coisas e esperar que isto comece a aquecer. Mais uma noite bem dormida, só acordei com o despertador e ainda me apetecia mais.
5ª Feira, 22 de Novembro. Mais uma manhã a acompanhar o Zé Manuel, o gajo não consegue fazer nada do operador da niveladora, que é só a máquina mais importante da obra. Hoje foi o dia do “Thanks Giving” feriado importante na terra do tio Sam, os Américas convidaram-me para jantar e lá fui eu. Noite bem passada, boa conversa, boa música, bom vinho – trouxe o Silvain – e eu fartei-me de dançar.
6ª Feira, 23 de Novembro. Fui mostrar as localizações das sondagens ao Houari e à equipa que as está a fazer, das pontes de Moudji. Ligou o Messias a dizer que tem a carne já temperada para o jantar de amanhã.
Sábado, 24 de Novembro. Trabalho de manhã, despachei o que havia e da parte da tarde preparei as coisas para o jantar. Belo jantar, feito pelo Messias. Quando chegou fui com ele comprar carne num “talho”, com 1 milhão de moscas por m2, mas estava boa. Casa cheia outra vez. Fiz a receita do Michel, “Pommes de Terre au Papillon” ficaram boas. A Madame Imane gostou, bem como os outros, para além dos marroquinos e do pessoal da casa veio o Baltazar e a Caren e a Amanda.
Domingo, 25 de Novembro. Dia de memórias em Portugal. Já faz 32 anos. O tempo passa. Aqui foi tempo de ir a Bakel. Eu, o Aires, o Luís e o Messias. Às 9h30m estávamos a pedir a 1ª Flag grande. Quando fomos trocar dinheiro, o Ahmed não estava e o funcionário dele não esteve à altura. 1 Hora à espera e não conseguiu trovar Ouguias por Francos, esteve quase a dar molho. Fomos ter com o Malik, que resolveu o problema. É a nossa salvação em Bakel. Bendita Guiné. Saímos cedo, às 15h estávamos junto ao rio. O nosso barco estava a descarregar a carga, esperámos ainda algum tempo e depois saímos, já com o barco carregado de gente que aproveitou a nossa boleia. Já deste lado, saímos com o Messias à frente. Depois de Boutanda, ia mesmo atrás dele, a nuvem de pó pairava no ar, não se via quase nada, o Aires disse “não foi aqui que ficámos à duas semanas?” e pumba, voltámos a ficar presos na areia. Desta vez foi difícil sair, demorámos muito. Quando conseguimos sair, andámos 3 ou 4 km e disse o Aires “não era por ali?”, pumba outra vez atascados. Ele disse que não voltava a falar até ao fim da viagem. Mas dali não conseguimos mesmo sair. Após uma hora de trabalho árduo, sem resultados, vi um camião e corri a pedir ajuda. O tipo tirou-nos num instante. Agradeci-lhe e ele respondeu-me, “fiz isto pela Mauritânia, sei que estão aqui para ajudar.” Inch Alá. Quando cheguei a casa fiz esta cara de chateado, que assustou quase toda a gente, o sacana do Messias, disse, outra vez, que Deus é grande. E deve-se pagar nesta vida todas as dívidas. Quando chegar a sua conta, quero ver o que vai dizer.
2ª Feira, 26 de Novembro. Tal como prometido, entreguei as medições ao Jamaldine. Consegui, porque o Hassan, nosso novo chefe de laboratório, felizmente, não tinha o computador ligado, na noite da desgraça. E o carregador dele é de 19v, como o meu. Fui jantar a casa do Nick, bebemos umas garrafinhas do Silvain, e foi uma noite agradável.
4ª Feira, 21 de Novembro. Ir à obra dar um apoio ao Zé Manuel, ver como estão as coisas e esperar que isto comece a aquecer. Mais uma noite bem dormida, só acordei com o despertador e ainda me apetecia mais.
5ª Feira, 22 de Novembro. Mais uma manhã a acompanhar o Zé Manuel, o gajo não consegue fazer nada do operador da niveladora, que é só a máquina mais importante da obra. Hoje foi o dia do “Thanks Giving” feriado importante na terra do tio Sam, os Américas convidaram-me para jantar e lá fui eu. Noite bem passada, boa conversa, boa música, bom vinho – trouxe o Silvain – e eu fartei-me de dançar.
6ª Feira, 23 de Novembro. Fui mostrar as localizações das sondagens ao Houari e à equipa que as está a fazer, das pontes de Moudji. Ligou o Messias a dizer que tem a carne já temperada para o jantar de amanhã.
Sábado, 24 de Novembro. Trabalho de manhã, despachei o que havia e da parte da tarde preparei as coisas para o jantar. Belo jantar, feito pelo Messias. Quando chegou fui com ele comprar carne num “talho”, com 1 milhão de moscas por m2, mas estava boa. Casa cheia outra vez. Fiz a receita do Michel, “Pommes de Terre au Papillon” ficaram boas. A Madame Imane gostou, bem como os outros, para além dos marroquinos e do pessoal da casa veio o Baltazar e a Caren e a Amanda.
Domingo, 25 de Novembro. Dia de memórias em Portugal. Já faz 32 anos. O tempo passa. Aqui foi tempo de ir a Bakel. Eu, o Aires, o Luís e o Messias. Às 9h30m estávamos a pedir a 1ª Flag grande. Quando fomos trocar dinheiro, o Ahmed não estava e o funcionário dele não esteve à altura. 1 Hora à espera e não conseguiu trovar Ouguias por Francos, esteve quase a dar molho. Fomos ter com o Malik, que resolveu o problema. É a nossa salvação em Bakel. Bendita Guiné. Saímos cedo, às 15h estávamos junto ao rio. O nosso barco estava a descarregar a carga, esperámos ainda algum tempo e depois saímos, já com o barco carregado de gente que aproveitou a nossa boleia. Já deste lado, saímos com o Messias à frente. Depois de Boutanda, ia mesmo atrás dele, a nuvem de pó pairava no ar, não se via quase nada, o Aires disse “não foi aqui que ficámos à duas semanas?” e pumba, voltámos a ficar presos na areia. Desta vez foi difícil sair, demorámos muito. Quando conseguimos sair, andámos 3 ou 4 km e disse o Aires “não era por ali?”, pumba outra vez atascados. Ele disse que não voltava a falar até ao fim da viagem. Mas dali não conseguimos mesmo sair. Após uma hora de trabalho árduo, sem resultados, vi um camião e corri a pedir ajuda. O tipo tirou-nos num instante. Agradeci-lhe e ele respondeu-me, “fiz isto pela Mauritânia, sei que estão aqui para ajudar.” Inch Alá. Quando cheguei a casa fiz esta cara de chateado, que assustou quase toda a gente, o sacana do Messias, disse, outra vez, que Deus é grande. E deve-se pagar nesta vida todas as dívidas. Quando chegar a sua conta, quero ver o que vai dizer.
2ª Feira, 26 de Novembro. Tal como prometido, entreguei as medições ao Jamaldine. Consegui, porque o Hassan, nosso novo chefe de laboratório, felizmente, não tinha o computador ligado, na noite da desgraça. E o carregador dele é de 19v, como o meu. Fui jantar a casa do Nick, bebemos umas garrafinhas do Silvain, e foi uma noite agradável.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
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