Rápida ou lenta, familiar ou
desconhecida. Sons que revolvem a alma, que irritam a pele, que apaixonam
sorrisos. Sentimo-nos próximos, por mais mares que nos separem de casa, quando
podemos escutar a “nossa” música. Une desconhecidos. Puxa-nos para a pista de
dança. Obriga-nos a estudar línguas estrangeiras. Descobre amizades novas.
Descobrimos que nos antípodas se ouvem os mesmos sons. Cria identidades. Erudita,
popular, comercial. Intemporal ou datada. De intervenção, de amor, de guerra,
nacionalista, folclórica. Antiga, clássica, moderna, punk, pop, rock,
pós-moderna, minimalista. Acompanhada de poesias, instrumental. Tocada por
orquestras, em bandas, grupos ou a solo. Enquanto conseguir emocionar-me a ver
um pôr-do-sol, voltado a oeste num alpendre com uma cerveja gelada, a ouvir
música, a sentir uma saudade imensa, sei que estou vivo e são.
Estes escritos representam acima de tudo estados de espirito. Dia a dia de um português em Portugal
sábado, 7 de setembro de 2013
sábado, 20 de julho de 2013
RX
Já fui e voltei. Aconteci.
Esquentei. Absorvi.
De volta ao fresco africano, após
uns dias a queimar em Portugal. Tive a felicidade, na breve permanência
caseira, de poder assistir à estreia do documentário “RX” do João Luz.
Despretensioso. Despojado. Mesmo sem objectivos estéticos, como o realizador
assinalou, assinala um problema cada vez mais premente: Riachos tem futuro?
O presente é muito cinzento, em
todo o entorno de Riachos e também no seu interior, companhias que nos
habituámos a conhecer, fecham todos os dias arrastando famílias para situações
que não estariam nas previsões ainda recentemente, nos tempos áureos do “Centro
do Progresso”.
Se o motivo do João foi uma
reação à notícia da publicação pela CM Torres Novas da lista das obras do
Rodrigues, mostrando o que não foi feito em Riachos, a resultante pode ser
maior que o esperado. Se é verdade que o João é candidato à Assembleia de
Freguesia pelo BE e com a honrosa excepção do José Luís Jacinto (PSD) e António
Mário (PCP) os restantes mostraram falta de “fair play”, para dizer o mínimo,
também manda a verdade dizer que lançou uma questão que não pode ser
escamoteada, Qual o futuro de Riachos? Ao que eu acrescentaria, Será que
Riachos tem futuro?
Vejamos apenas factos. A Escola
Chora Barroso, quando abriu, há cerca de duas décadas tinha meio milhar de
alunos, hoje terá pouco mais de duas centenas e um futuro muito nublado a
prazo. Ruas há em Riachos com menos de uma dezena de habitantes, em que o mais
novo terá sete dezenas de primaveras. Se é verdade que os riachenses sempre
procuraram sustento fora de portas, isso significava há algumas décadas, Torres
Novas, Entroncamento, Alcanena, Lisboa, embora muitos conterrâneos tivessem
encontrado porto seguro em Paris, Amesterdão, Londres, Luanda, Lourenço Marques,
Macau. O que os novos navegadores têm à sua espera são os destinos longínquos,
os tradicionais que permitiam a vida caseira, já não têm essa capacidade. O
problema de Riachos então é similar, talvez mais pronunciado, às localidades
vizinhas, apanhadas num remoinho voraz que tudo suga. Se sempre partimos,
porque é isso agora um problema? Talvez porque ontem muitos saiam e muitos
ficavam. Hoje muitos saem e alguns ficam. Amanhã talvez muitos saiam e poucos e
velhos fiquem. Esse filme que parecia longínquo, já o vimos em milhares de
terras desse interior, completamente abandonado. Temos um país tão pequeno e
deixamos metade ao abandono…
Voltando ao “RX”, valeu pelo
alerta, pelas entrevistas, pelo empenho. Houve alguém que entendeu que a sua
terra merecia uma reflexão, isso nos dias de hoje já é alguma coisa. Não sou do
BE, não vou votar nas eleições autárquicas, pois estou em Angola, mas tenho de
reconhecer ao João a pedrada no charco. A vontade de provocar a discussão, que
tão arredia tem andado dos nossos hábitos, hoje por hoje mais voltados para nós
próprios, mais parecemos náufragos no meio do oceano, desejosos de ser ouvidos
mas incapazes de ouvir.
Tenho para mim que se é importante
embelezar a terra para aumentar a autoestima. Se as festas são tantas vezes
aproveitadas pelos “navegadores” para matar saudades e ver caras conhecidas.
Riachos só terá futuro se conseguir prover os seus. Como alguém já disse há
muito tempo, “it’s the economy stupid”. Ou
ter a sorte de algum dos seus vizinhos conseguir esse desiderato…
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Amanhã
O dia é amanhã!
Alguém diz que a esperança é vã…
O equador vou cruzar
Daqui vou zarpar
As estações vou inverter
O sol vai-me derreter!
Eu também quero ir
Não preciso fugir
Dias cheios de cor
Antecipo o sabor
De um ensopado de enguia
Amanhã é o dia!
domingo, 23 de junho de 2013
Ainda...
Tudo o que quero é ser livre.
Tudo o que queremos é ser livres. O que os estados, por intermédio dos seus
governantes, as igrejas por intermédio dos seus representantes e as empresas de
marketing por intermédio de todos os estratagemas a que podem deitar a mão,
querem é controlar-me, controlar-nos. Como é que sei isto, sabemos, e deixo que
o controlo aumente a cada dia, sem nada fazer. A publicidade entrou de vez na política.
Os estudos de mercado, permitem um conhecimento alargado da consciência
colectiva. Sempre que baixamos a guarda lá vem mais uma “à 1984”. Desta feita o
americano Snowden explicou o que o governo do seu país está a fazer. Que
inclusive pirateia empresas de telefones chinesas. Escuta tudo o que se passa
na net. Os americanos concordam, em nome da segurança. Acho que irão concordar
sempre até chegar à sua vez…
“Se queres vender armas, cria
inimigos”
Já há alguns anos que africanizo.
Transformo as histórias, tantas vezes ouvidas, em ocorrências minhas. Começo a
entender o que tantos, brancos e pretos, passaram por estas terras. Histórias
tantas vezes brutais, tantas vezes belas. África à semelhança do seu clima,
pode ser impiedosa, sendo igualmente maravilhosa. Este chão vermelho
impregna-se em todos os poros de quem por cá caminha. Independentemente das
opiniões e “feridas” de cada um, se algo salta à vista é que estes povos que
por cá andam, mereciam melhor sorte, não no chão ou no clima, que aí não
podemos fazer muito, mas no término de conflitos, tantas vezes estranhos,
tantas vezes exógenos, e no verdadeiro aproveitamento da maior riqueza que
qualquer terra pode ter, o seu povo! Aproveitamento não no sentido de
exploração, mas no de oportunidade, equidade. Se tantos consideram que houve
regressão na europa neste último lustro, o que haverá a dizer da regressão
experimentada por estas terras nas últimas 4 décadas…
Como se diz por cá, quando alguma
tarefa urgente está por concluir: “ainda”
domingo, 16 de junho de 2013
Tempos Difíceis
Nas alturas difíceis forjam-se
solidariedades. (Re)aprende-se a colaborar. É nas dificuldades que se ganha o
espírito de sacrifício. Que se aprende a sofrer. Para se formar um salto há que
pôr os pés no chão e formar o impulso. Os verdadeiros amigos são aqueles que
comeram connosco o pão que o diabo amassou.
Tanto haveria mais a dizer acerca
de tempos passados em que os sobreviventes empreenderam a sua demanda por um
sentido de vida, que poupasse os seus descendentes às dificuldades que foram
obrigados a passar. Quando os tempos melhoram recordam-se com nostalgia e
muitas vezes com um sorriso nos lábios, os tempos difíceis passados. Contam-se
aos filhos ou netos histórias do tempo em que uma sardinha dava refeição para
dois, quando eles dizem não gostar de peixe. Sempre com a esperança que eles
não tenham que passar pelo mesmo.
Pois bem, esses tempos estão de
volta, infelizmente. Há que aproveitá-los para fazer uma “reforma” sobre as
nossas vidas. Temos que reaprender a exigir que aquilo que compramos, com tanto
sacrifício, valha o que nos pedem. Temos que exigir aos eleitos que cumpram um
mandato de acordo com as propostas que nos apresentaram. Que impedir que uma
vez eleitos, esqueçam a democracia por quatro anos, esqueçam que só lá estão
porque nos apresentaram um programa, o qual validámos. Temos que aprender a
cobrar.
Temos que exigir a revisão da
constituição (ou uma nova) onde fique bem claro, que quem governa tem um
mandato que começa e acaba nas suas propostas eleitorais, nem mais nem menos.
Até podem baixar vencimentos, despedir e cortar nas reformas, desde que isso
esteja explícito no seu programa eleitoral. Temos que voltar a acreditar, antes
que seja tarde e isto impluda e para além das desgraças todas que se abateram
sobre nós, alguma espécie de totalitarismo volte a deixar a sua sombra negra
sobre estas terras sofridas.
Algo está a mudar. Hoje voltou a
discutir-se política. Queremos saber onde se corta e porquê. Onde se gasta e
porquê. O debate vai evoluindo. A exigência vai aumentando. Os “boys” vão
perceber que estão encurralados. Que o futuro não passará por eles. Têm que se
fazer à vidinha. E isso mais cedo que tarde.
A mãe Terra tende sempre para um equilíbrio,
por vezes violentamente. Afastámo-nos muito da natureza, e pensávamos que a
espécie humana tinha todos os direitos sobre tudo o resto, aos poucos começamos
a compreender que afinal não é bem assim. As alterações climáticas estão aí
para comprovar que vivemos integrados num sistema, sem o qual não
sobreviveremos. Somos parte do todo. A economia parecia uma criação do homem
com regras próprias, a comprovar a nossa ascendência celestial, nada como um
choque com a realidade para perceber que as leis que regem a economia são as
mesmas que regem a natureza. A reação será violenta.
Não tenho dúvidas que sairemos
mais fortes no final. O que não sei é quando. Nem quantos…
domingo, 9 de junho de 2013
Voo
Havia magia no ar. Sentia-se a
cada inspiração. O céu vermelho. A brisa constante que estacou subitamente. Os
chilreios inaudíveis. Sentia-se parte de um quadro, só não identificava qual…
Reconhecia cada detalhe. Mais um esforço de memória e nada. Sentia que estava a
ser testado. O silêncio que o acompanhava normalmente nas mais estranhas
situações não faltava, dando-lhe uma sensação de segurança. Inspirou fundo.
Fechou os olhos. Começou a reconstruir cada detalhe. Como chegara ali. Que
estranha sensação de bem-estar lhe chegava desde o chão, o calor subia
ruborizando as faces. Caminhara tanto para ali chegar. Ultrapassara tantos
obstáculos. Desligou os sentidos, numa tentativa para isolar-se da envolvência.
E foi então que compreendeu. Sorriu. Voltou a abrir os olhos. Pássaros de todas
as cores e tamanhos irromperam num esvoaçar ébrio, em todas as direções sem
nexo algum. Chilreios, grasnados, pios. Estava no ponto mais alto do céu.
Escolheu a presa. Inspirou fundo, fechou as asas e iniciou voo picado, rápido
atingiu os 300 km/h, não havia fuga possível. Quando o pobre pombo foi
atingido, nem se tinha apercebido ainda da presença do mais rápido voador
natural do planeta. O “Falco peregrinus”,
falcão peregrino tranquilamente voava em direcção ao ninho, onde era aguardado
efusivamente pelos filhotes…
domingo, 2 de junho de 2013
(Des) sonhar
(Des) sonhar. É a sina de tantos
por estes dias…
Segundo um provérbio tibetano, se
um problema não tem resolução, então não é um problema, é um facto. Se um
problema tem resolução, então não é um problema, basta resolver.
Numa época, dita, sem líderes
carismáticos, cinzenta, sem desígnios, “de fim de festa”. Os políticos passaram
a ser “pragmáticos”, sem programa. A “realpolitik” passou a dominar. Os
interesses pessoais estão completamente por cima dos comuns. Um tempo sem
ideologias. Descrença, desemprego, desvario, destruição, desespero, des…
É chegado o tempo de resolver.
Passar de uma vez por todas a reparar nos pormenores. Ler as letras pequeninas.
Ouvir o que dizem os políticos. E cobrar! A democracia é o exercício do poder
por representantes do povo, que para tal se habilitaram, mas também é a
prestação de contas. E aí reside o nosso problema. Levamos pouco a sério as
eleições. Melhor dizendo, não cobramos as promessas não cumpridas após o
cumprimento dos mandatos. Deixamos aquilo que devia ser a mais nobre das
ocupações, a causa pública, ser desvalorizada até ao nível da sarjeta. Não
cuidamos do que é nosso. Permitimos que qualquer um se arrogue o direito de
governar. Não exigimos um caderno de encargos, claro, conciso e preciso. Não
cobramos.
Dito isto, verifico que ao longo
da história só por breves momentos tivemos elites merecedoras de tributo. No
mais apenas oportunistas e personagens menores. Dos actuais apenas constato que
se tivessem consciência do lugar abjeto que a história lhes reservou desde já,
teriam vergonha do papel a que se estão a prestar.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Há Dias Felizes
Hoje tive a confirmação
confirmada. Sou um bicho-de-mato. Bicho mesmo. Há já algum tempo que faltava
completar um levantamento de uns terrenos que vão ficar submersos. Fui. O
pessoal estava desconfiado. Como só me viam no gabinete, pensavam que eu era um
brancolas de cidade. Fomos buscar o Soba da Terra Nova. E descemos para as
lavras. O caminho foi complicando. A partir de determinada altura as catanas
tiveram que entrar em acção. Encontrámos um trabalhador que estava a cortar
mato numa lavra de mandioca, foi connosco. Seguimos pela margem do rio, em
precários equilíbrios. Depois o mato fechou até ficar intransponível. O Soba
continuou rio adentro, água pela cintura, eu segui-o, os outros ficaram de boca
aberta e foram dar uma grande volta. Tive que esperar quase meia hora pela sua chegada.
Já me olhavam com outros olhos. Completámos o trabalho. Transpirei como um rio.
Já nem sabia distinguir o molhado do transpirado. Comi massangue, parecido com
o gib-gib da Mauritânia, dendém e mamão. Encontrei bissap, que aqui se chama
ozélia, hibiscus sabdariffa L. Já não
via isto desde a Mauritânia, gosto muito, é agradável e ainda por cima faz
muito bem, baixa a pressão arterial e tem muitas vitaminas e antocianinas. Cheguei
a casa quase às três da tarde. O refeitório estava fechado. Fui a casa mudar de
roupa e tomar um duche. Não havia água. Fui ao escritório e acabei o desenho.
Desci para jantar com um sorriso nos lábios. Há dias felizes!
domingo, 26 de maio de 2013
Sol e Sombra
Tal como temos dias luminosos a
raiar o sagrado e outros nebulosos, como os dias vividos por tantos nestes dias.
Tal como vemos a natureza numa explosão de vida, após umas boas chuvadas e um
pouco ao lado vemos a destruição que as mesmas podem provocar, especialmente entre
os mais despreparados ou desatentos. Tal como o fogo destrói e permite a
regeneração após a sua passagem, de tal forma que é uma técnica utilizada há
milhares de anos, para permitir a obtenção de pastos verdes em contra estação
ou o cultivo agrícola. Tal como as estações se sucedem, neste nosso planeta
azul, após cada subida vem uma descida e vice-versa. A vida é feita de ciclos.
O nosso papel é cuidar de entender esses ciclos e tentar prolongar as subidas e
amortecer as quedas.
Quem já teve oportunidade de
apreender, nem que seja por um breve instante, a luz, o ar, a vastidão, a
mobilidade, do deserto, compreende que mesmo em circunstâncias difíceis a vida
está lá e aproveita todas as oportunidades para se desenvolver. Assim os tempos
difíceis sejam aproveitados para jogar para estibordo as bugigangas que
transportamos nas nossas vidas, convencidos que transportamos valores
incalculáveis. É precisamente quando estamos numa encruzilhada que tomamos as
decisões que moldarão presentes futuros.
Só há sombra quando há sol. É a
distância que acrescenta saudade. É a doença que nos faz querer saúde. Rezamos
quando deparamos com dificuldades inesperadas. Porque não aproveitar estes dias
tão longos para debater, seriamente, que sociedade queremos deixar aos
próximos? Em nove séculos já tivemos vários paradigmas, conquistar terra,
glória, fama, riqueza. Aumentar o território, descobrir novos mundos.
Evangelizar. Viver aventuras. Miscigenar o nosso sangue com todos os sangues do
planeta. Manter a independência. Declarar de novo a independência. Manter
territórios. Obter reconhecimento. Promover o desenvolvimento. Promover a
integração europeia, num regresso a “casa”. Integrar o pelotão da frente do
euro…
Durante séculos os “mais velhos”
foram respeitados. Foram os garantes da tradição oral, da passagem de
testemunho. Considerados sábios. Escutados e não apenas ouvidos. Criámos então
uma sociedade sem espaço para os mais velhos. Conseguimos uma evolução
tecnológica tão rápida, que os mais novos é que passam conhecimento aos mais
velhos. E achamos normal. Embriagados pelas facilidades da tecnologia, desrespeitamos
as leis da natureza. Se alguma coisa devíamos ter aprendido é qua a natureza
tende sempre para um equilíbrio. Por mais que façamos, por mais que a
tecnologia evolua, não podemos alterar as leis da natureza, apenas as dos
homens. Como o caminho só se faz caminhando, porque não voltar a respeitar as
leis da natureza e voltamos a escutar os mais velhos?
Cacimbo
O céu plúmbeo ameaça desaguar
rios sobre as nossas cabeças. Finalmente conheço o cacimbo. Tanto lhe ouvi, em
passados de outras eras. Tanto imaginei. Estou a experimentar por fim, a
diferença do ouvido e do vivido. Manhãs frescas, agradáveis. Sol a chegar tarde,
como se houvesse abusado na véspera. Chega devagarinho, para não assustar. À
tarde dá um ar da sua graça e parte, tranquilo. O orvalho matinal vai mantendo
alguma verdura, embora o verde, dominante desde a minha chegada, esteja a
ceder. As queimadas. Pintalgam as noites, quais estrelas. Métodos mal
repassados, dão maus resultados.
Semana triste e complicada.
Lembra-nos que devemos estar sempre prontos para partir. Tudo deve estar sempre
pronto. A nossa vez pode estar aí. Não devemos tomar nada como garantido. Bem
hajam, os que já foram. Boa sorte para os que ficaram.
E no entanto, começara tão bem…
Mais uma ida a Luanda, mais uma estada com amigos. Um brinde aos amigos!
domingo, 12 de maio de 2013
Casino
Segundo parece, o principal trunfo do Vitinho foi recuperar
a credibilidade internacional de Portugal, o que quer que isso seja, e permitir o regresso aos mercados e emitir dívida
sem recorrer à troika. Não entendo muito de mercados, mas acho estranho que um
país que destruiu a sua economia, reduziu um em cada cinco cidadãos ao estatuto
de desempregado, ao qual retirou o subsídio na maioria dos casos, esteja em
melhor posição que antes, quando o défice continua teimosamente na ordem dos 5%
e não mostra sinais de querer baixar. Acho estranho que a nossa imprensa tão
bem informada, não note que por exemplo o Ruanda faça a primeira emissão de
dívida da sua história a uma taxa similar à Portuguesa… Acho estranho que não
faça notar que outros países africanos que nunca tiveram acesso aos mercados,
este ano tenham iniciado esse processo, com sucesso. Será que não notaram que
essa poderá ser a nova bolha a rebentar? Será que é normal Portugal depois do
Processo de Destruição em Curso, consiga melhores condições que antes?
Quando é que começam a fazer o trabalho de casa e percebem o
que está em jogo? Vivemos uma economia de casino. O Vitinho é um simples peão.
O Passos irá ser recordado como o maior incompetente que alguma vez chegou ao
poder em Portugal. Infelizmente serão necessários muitos anos para ultrapassar
tanta incompetência.
O que faz a esquerda portuguesa? Age como se nada se
passasse e continua o seu caminho indiferente à implosão social, à destruição
da sociedade. Qual D. Quixote a lutar com os moinhos de vento. Para quando um
pouco de visão e solidariedade para com quem, supostamente querem proteger?
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