Eis alguns exemplos do que se pode ver ver aqui. A variedade de aves é imensa.Estes escritos representam acima de tudo estados de espirito. Dia a dia de um português em Portugal
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
O Natal está à porta
2 de Dezembro de 2008, terça-feira. Fui hoje levar o Rafa a Bakel, vai de férias. Primeiro a Portugal e depois ao Brasil. O Jamaldine e o Hassan, foram antes de ontem. Fico a substituir os três. O positivo de tudo isto, é, que só faltam duas semanas para ir eu. Saio daqui a 18. A decapagem está a chegar a Gouraye. Finalmente temos a obra toda aberta. No dia 27, acabei por ir festejar o “Thanksgiving” a casa da Kim, que não esteve, foi para o Senegal. Estiveram lá 15 PCV’s, alguns vieram de muito longe. Nesse dia, começou péssimo, acabei por apanhar uma carraspana das antigas, pois é… No sábado fui a Bakel buscar estacas, como hoje, e comprei uns 10 kg de peixe, quando os pescadores ainda estavam a puxar as redes. Alguns, umas horas depois ainda estavam vivos, e assim entraram dentro do congelador. Comi umas refeições maravilhosas, estava com saudades de peixe fresco. O Malik deu-me umas bananas, que me mostraram que afinal até gosto dessa fruta. Espectaculares. Hoje deu-me mais. Machalá… Amanhã vou à britadeira, são 150 km, para cada lado, é duro. Quero ver se vejo o Rodrigo, já não lhe boto os olhos encima desde Maio. Por aqui a temperatura está aceitável, especialmente à noite, já à quatro ou cinco noites que durmo sem ar condicionado. Quero ver se amanhã semeio a horta de novo. Preciso de legumes frescos. Hoje “roubei” alface e beringelas ao maluco do Djaló. Inté.
domingo, 23 de novembro de 2008
Mauritânia de A a Z
a. Areia. Está presente em todo o lado. Tempestade de areia. Água. Aprendemos a dar valor à água. Sem ela não há vida.
b. Barco. É como passamos para o Senegal. Bakel. Cidade no Senegal, onde vamos às sextas, beber cerveja. Burros. São milhões aqui. Brousse. Zona semi-desértica onde nos encontramos.
c. Carros. Em Selibaby quase todos, são Mercedes. Cabras. Penso que são maioritárias na Mauritânia. Cerveja. Fazemos cerca de 100 km para beber uma. Chá. Aqui bebe-se chá umas dez vezes por dia…
d. Deserto. A maior parte da Mauritânia pertence ao deserto do Sahara. Diagili. Cidade junto ao rio Senegal. 95% dos habitantes têm nacionalidade francesa. Quase todas as casas têm painéis solares.
e. Exército. Só ultrapassados em número pelos polícias.
f. Fleuve. O rio Senegal é o único da Mauritânia. Chamam-lhe simplesmente, fleuve.
g. Garage. Local onde se apanham os transportes, aqui constituídos por jipes, normalmente de caixa aberta e apelidados de Taxi brousse. Gouraye. Término da nossa estrada. Fica junto ao rio Senegal, na fronteira com o Senegal. Local onde passamos a fronteira.
h. Hassanian. Uma das etnias do país. São os mouros. Detentores do poder.
i. Irmãos. Aqui todos têm pelo menos 10.
j. Jardin. Nome para a nossa horta.
k. Karakoro. Oued que faz a fronteira com o Mali. Kaédi. Local da base da Tâmega. Primeiro estaleiro onde estive. Onde termina o asfalto.
l. Lei. Aqui existe apenas uma ideia do que isso seja.
m. Mali. País vizinho. Fica a cerca de 50 km daqui. Mballou. Montanha a cerca de 20 km de Selibaby.
n. Nouakchott. Capital. Local onde habitam cerca de 1/3 dos mauritanos.
o. Oued. Curso de água. Difere de um rio, porque não tem nascente. Só tem água na época das chuvas. Ovelhas. Há milhões por aqui. Ouguya. Moeda local.
p. Polícia. Omnipresente. Há muitos e por todo o lado. São normalmente simpáticos connosco. Pular. Uma das etnias do país. Peace Corps. Americanos, jovens, idealistas. São nossos amigos. Cerca de cem na Mauritânia. Pá e Pica. Como se abrem valas aqui. Pó. Só pára na altura das chuvas.
q. Qualquer ocasião é boa para matar um carneiro, por aqui tudo se festeja desta forma.
r. Radier. Forma de as estradas atravessarem linhas de água. Difere de uma ponte porque não tem pilares. A água passa por cima. Rãs, são milhões, nunca vi nada assim.
s. Soninke. Uma das etnias do país. Selibaby é terra soninke. Senegal. País vizinho, fica a cerca de 50 km daqui, já lá fui mais de 50 vezes. Selibaby. Capital da província de Guidimakha, onde fica a nossa base.
t. Táxi Brousse. Transportes públicos na Mauritânia. Toyota. Os 4x4 são quase todos desta marca.
u. Ultimo modelo de telemóvel. As pessoas podem não ter casas, mas têm os telemóveis mais recentes, bem como parabólicas e TV’s…
v. Vacas. Milhões por aqui.
w. Wolof. Uma das etnias do país. Maioritária no Senegal. Walli. Governador.
x. Xisto. A maioria dos montes aqui é de xisto.
y. Yacoub. Nome do nosso Eng. De Ambiente.
z. Zénégué. Localidade a 10 km de Selibaby.
b. Barco. É como passamos para o Senegal. Bakel. Cidade no Senegal, onde vamos às sextas, beber cerveja. Burros. São milhões aqui. Brousse. Zona semi-desértica onde nos encontramos.
c. Carros. Em Selibaby quase todos, são Mercedes. Cabras. Penso que são maioritárias na Mauritânia. Cerveja. Fazemos cerca de 100 km para beber uma. Chá. Aqui bebe-se chá umas dez vezes por dia…
d. Deserto. A maior parte da Mauritânia pertence ao deserto do Sahara. Diagili. Cidade junto ao rio Senegal. 95% dos habitantes têm nacionalidade francesa. Quase todas as casas têm painéis solares.
e. Exército. Só ultrapassados em número pelos polícias.
f. Fleuve. O rio Senegal é o único da Mauritânia. Chamam-lhe simplesmente, fleuve.
g. Garage. Local onde se apanham os transportes, aqui constituídos por jipes, normalmente de caixa aberta e apelidados de Taxi brousse. Gouraye. Término da nossa estrada. Fica junto ao rio Senegal, na fronteira com o Senegal. Local onde passamos a fronteira.
h. Hassanian. Uma das etnias do país. São os mouros. Detentores do poder.
i. Irmãos. Aqui todos têm pelo menos 10.
j. Jardin. Nome para a nossa horta.
k. Karakoro. Oued que faz a fronteira com o Mali. Kaédi. Local da base da Tâmega. Primeiro estaleiro onde estive. Onde termina o asfalto.
l. Lei. Aqui existe apenas uma ideia do que isso seja.
m. Mali. País vizinho. Fica a cerca de 50 km daqui. Mballou. Montanha a cerca de 20 km de Selibaby.
n. Nouakchott. Capital. Local onde habitam cerca de 1/3 dos mauritanos.
o. Oued. Curso de água. Difere de um rio, porque não tem nascente. Só tem água na época das chuvas. Ovelhas. Há milhões por aqui. Ouguya. Moeda local.
p. Polícia. Omnipresente. Há muitos e por todo o lado. São normalmente simpáticos connosco. Pular. Uma das etnias do país. Peace Corps. Americanos, jovens, idealistas. São nossos amigos. Cerca de cem na Mauritânia. Pá e Pica. Como se abrem valas aqui. Pó. Só pára na altura das chuvas.
q. Qualquer ocasião é boa para matar um carneiro, por aqui tudo se festeja desta forma.
r. Radier. Forma de as estradas atravessarem linhas de água. Difere de uma ponte porque não tem pilares. A água passa por cima. Rãs, são milhões, nunca vi nada assim.
s. Soninke. Uma das etnias do país. Selibaby é terra soninke. Senegal. País vizinho, fica a cerca de 50 km daqui, já lá fui mais de 50 vezes. Selibaby. Capital da província de Guidimakha, onde fica a nossa base.
t. Táxi Brousse. Transportes públicos na Mauritânia. Toyota. Os 4x4 são quase todos desta marca.
u. Ultimo modelo de telemóvel. As pessoas podem não ter casas, mas têm os telemóveis mais recentes, bem como parabólicas e TV’s…
v. Vacas. Milhões por aqui.
w. Wolof. Uma das etnias do país. Maioritária no Senegal. Walli. Governador.
x. Xisto. A maioria dos montes aqui é de xisto.
y. Yacoub. Nome do nosso Eng. De Ambiente.
z. Zénégué. Localidade a 10 km de Selibaby.
Golpe de Estado, Pensamentos
23 de Novembro de 2008, Domingo. Hoje dei comigo a pensar que há coincidências incríveis nesta vida. Se não vejamos. No inicio de Agosto, houve um golpe de estado aqui na Mauritânia. Uma das razões porque houve apoio aos golpistas foi o descontentamento com a carestia de vida, recorde-se que, em Julho o petróleo atingiu o preço de 157 dólares, agora está a 50. O açúcar baixou para metade. A farinha idem. A Ouguia (moeda local) valia 1 para 360 em relação ao Euro, agora vale 1 para 300. Ou seja, estes gajos fizeram o golpe, na altura exacta. A população acredita que foi o novo governo que baixou todos os preços, subiu o valor da sua moeda e pôs os estrangeiros (leia-se União Europeia) na linha, não querendo saber das ameaças… Em Portugal quando foi o 25 de Abril, estalou a crise do petróleo, as taxas de juro subiram e ainda hoje temos temos contas para pagar…
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
De Volta a M'ballou seis meses depois (2)
De Volta a M'ballou seis meses depois (1)
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Halloween
7 de Novembro de 2008, 6ª Feira. Desde o meu regresso a 15 de Setembro, foi a primeira sexta-feira em que não fui a Bakel. Eu gosto de ir sossegado e ultimamente as sextas têm sido tudo menos sossegadas. Muita gente = muita confusão. Fiquei a descansar. Soube-me muito bem. Estava a precisar. Reguei bem a horta. Vi uns filmes. Ouvi umas músicas. Dormi uma sesta… e parece que escolhi bem o dia de não ir a Bakel.
Esta semana foi gira. Na sexta-feira passada fui a Bakel e depois fui para casa da Kim, para festejar o Halloween. Vesti o meu bubu branco, com o meu hadj branco e fiz uma entrada triunfal, a Puppy, nem me reconheceu à primeira. Logo após a minha chegada participei num concurso de comer donuts rapidamente, presos por um fio e sem poder tocar com as mãos. Fiquei em segundo. O Levin foi mais rápido. Depois fizemos equipas para construir uma “Jack-o-Lantern”, aquela abóbora com uma vela no interior que se vê nos filmes americanos do Halloween. A minha abóbora ganhou o primeiro lugar, a Sari foi a minha companheira de equipa e apenas nos conhecemos neste dia. No dia 4 de Novembro, a Kim convidou-me para festejar com os voluntários a eleição do presidente. Parabéns para eles, pois quis-me parecer, que ou eram todos apoiantes do Obama ou quem não era não se manifestou. Com a Kim tenho grandes discussões sobre política e sobre Portugal, que eu defendo com unhas e dentes, dizendo-lhes que tudo teve a sua origem em Portugal. Ela delira com os meus argumentos apelidando-os de “Shit talk”. Dos novos voluntários que chegaram este verão, a Shelby mostra-se interessada e com argumentos para estas discussões.
Quanto à minha vida aqui, tem altos e baixos. A dias onde só me apetece ir embora, seguem-se outros em que me sinto útil, integrado e em que posso fazer alguma diferença. Os trabalhos ganharam algum ritmo (finalmente). Vamos ver se é para continuar.
Chegaram hoje os projectistas, aqui a Selibaby. Amanhã vamos ter muitas coisas para conversar.
Esta semana foi gira. Na sexta-feira passada fui a Bakel e depois fui para casa da Kim, para festejar o Halloween. Vesti o meu bubu branco, com o meu hadj branco e fiz uma entrada triunfal, a Puppy, nem me reconheceu à primeira. Logo após a minha chegada participei num concurso de comer donuts rapidamente, presos por um fio e sem poder tocar com as mãos. Fiquei em segundo. O Levin foi mais rápido. Depois fizemos equipas para construir uma “Jack-o-Lantern”, aquela abóbora com uma vela no interior que se vê nos filmes americanos do Halloween. A minha abóbora ganhou o primeiro lugar, a Sari foi a minha companheira de equipa e apenas nos conhecemos neste dia. No dia 4 de Novembro, a Kim convidou-me para festejar com os voluntários a eleição do presidente. Parabéns para eles, pois quis-me parecer, que ou eram todos apoiantes do Obama ou quem não era não se manifestou. Com a Kim tenho grandes discussões sobre política e sobre Portugal, que eu defendo com unhas e dentes, dizendo-lhes que tudo teve a sua origem em Portugal. Ela delira com os meus argumentos apelidando-os de “Shit talk”. Dos novos voluntários que chegaram este verão, a Shelby mostra-se interessada e com argumentos para estas discussões.
Quanto à minha vida aqui, tem altos e baixos. A dias onde só me apetece ir embora, seguem-se outros em que me sinto útil, integrado e em que posso fazer alguma diferença. Os trabalhos ganharam algum ritmo (finalmente). Vamos ver se é para continuar.
Chegaram hoje os projectistas, aqui a Selibaby. Amanhã vamos ter muitas coisas para conversar.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Gafanhotos
27 de Outubro de 2008, 2ª Feira. O verde já desapareceu, embora a semana passada tenha chovido. Os gafanhotos estão-me a dar cabo da horta. Comem tudo. A obra deu um safanão, começou a dar mostras de ser para fazer, mas, parece que é para ir fazendo. É a vida. O grupo aumentou muito, com a chegada de 3 brasileiros, o Messias está mais contente, e 4 madeirenses, para além do Eng. das pontes, que veio substituir o Houari, passados cinco meses. Já somos uns 35 ou 36. A carrinha do Rafa continua avariada, também só está na oficina desde finais de Maio… Começámos a sub-base, por enquanto ainda há água… A temperatura subiu muito com o fim das chuvas e a humidade desceu, como consequência o consumo de água disparou, os nossos burocratas, que não saem do ar condicionado, estranharam, temos agora uma espécie de caça às bruxas, por causa disso. Vão mas é trabalhar malandros. Já temos todos os projectos, também só passaram cerca de 52 semanas desde que chegaram os primeiros… E para variar, vieram gatados, é preciso ter pachorra… O Rafa já só pensa na viagem que vai fazer ao Brasil, o Messias, esse, nem pensa já. Já está todo lá. Aqui por Selibaby, a vida continua, passadas as chuvas, que este ano, duraram cinco meses contra os dois do ano passado, já se vê muita gente a buscar água onde podem, poças imundas, onde só de olhar deve dar doença, tomam banho e lavam a roupa. Os primeiros rebanhos nómadas começaram a chegar, parece que em Kiffa não choveu quase nada, é a 200 km daqui. A Inês e o Xavier, compraram um cavaquinho, na feira de gastronomia, em Santarém. E eu aqui.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Ramadão
3 de Outubro de 2008, 6ª Feira. Após mês e meio estou de volta. Durante este tempo voltei a casa, para ir com o Xavier às termas. Soube bem esta ida a Portugal. Voltei mais calmo. Cheguei durante o Ramadão. Terminou antes de ontem. Tivemos três dias de folga. Programei tudo para ir ao norte, a Atar e a Arguim. Liguei para o Afonso, em Nouakchott, que não. Era perigoso, os terroristas mataram onze militares mais o seu guia civil. Foi pena. Ficámos por aqui. Que desperdício. Duas idas a Bakel e um bolo de chocolate. Foi o que se pode fazer. Amanhã voltamos ao trabalho. Veremos se desta vez é a sério… As chuvas estão de partida, este ano foi bom, quatro meses de chuva, é coisa rara por estes sítios. Daqui por duas semanas acabou-se o verde e mais duas desaparece também o amarelo, fica só o vermelho dos solos.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Um Ano na Mauritânia
18 De Agosto de 2007
6:00 am – Tocou o despertador. Acordei para um dia completamente inesperado apenas duas semanas antes. O dia da minha viagem para a Mauritânia. Foi o dia em que mais me custou levantar e despachar em muitos anos. A Guida fez-me dar um beijo ao Xavier, coitado estava de tal modo a dormir que não deu qualquer sinal, quando o agarrei para o beijar. A Inês, como sempre aparenta maior autocontrolo e deseja-me boa viagem.
18 de Agosto de 2008, 2ª Feira. Faz hoje um ano. Que estou nesta terra. Parece mentira. Fazendo uma retrospectiva. Hoje choveu loucamente. Quando cheguei a Nouakchott, só me apeteceu apanhar o avião de volta. O primeiro choque é brutal. Não há nada que nos prepare. Não sei se as pessoas que mais gosto. Alguma vez. Aceitarão. Compreenderão. Não sei se alguma vez. Estarei preparado para esta terra. Liberta-nos. Amarra-nos. Sei que estou a passar ao lado da vida. Dos meus. Hoje tive uma queda brusca da temperatura. Corporal. Não parava. De tremer. Tive que vestir um polar! Tive que colocar. O ar condicionado. No quente. Se qualquer dia é bom para uma retrospectiva. Os números redondos. São-no mais. Após um ano em África. Dou mais valor à amizade. As dificuldades trazem ao cimo. O melhor. O pior. Das pessoas. Os amigos são os do berço. E. Os que em tempos difíceis. Nos fazem acreditar. Que ainda é possível. Os meus filhos. Sentindo a minha falta. Perdendo cumplicidades. Estando tão longe. A minha esposa. Sentindo-se só. Espero que. Alguma vez. Sentados à lareira. Apreciemos cada dia. Juntos. Que não haja. Sombras. Entre nós. Neste caso. A distância. Faz-me apreciar cada vez mais. O que tenho em casa. Na 4ª Feira. Dia 13. Fizémos 16 anos. De casados. Com todas. As situações. Dificuldades. Voltava a casar. Hoje. A sinfonia. Das rãs. Rodeia-me. É inacreditável. São milhões. Para a semana. Regresso a casa. Até já. Embora. Só tenha vindo à um mês. As saudades. Apertam. Hoje. Compreendo. Aceito. Muito mais. A diferença. Acho que estou. Mais rico. Nada como ver. Outras gentes. Outras culturas. Para perceber. Quão fúteis. São a maioria. Das nossas querelas. De ocidentais. Aburguesados. De barriga. Saliente. A religião. Que nos é. Apresentada. Com tantas certezas. Com tantos dogmas. É preciso. Escutar. O mundo. A política. A diferença.
6:00 am – Tocou o despertador. Acordei para um dia completamente inesperado apenas duas semanas antes. O dia da minha viagem para a Mauritânia. Foi o dia em que mais me custou levantar e despachar em muitos anos. A Guida fez-me dar um beijo ao Xavier, coitado estava de tal modo a dormir que não deu qualquer sinal, quando o agarrei para o beijar. A Inês, como sempre aparenta maior autocontrolo e deseja-me boa viagem.
18 de Agosto de 2008, 2ª Feira. Faz hoje um ano. Que estou nesta terra. Parece mentira. Fazendo uma retrospectiva. Hoje choveu loucamente. Quando cheguei a Nouakchott, só me apeteceu apanhar o avião de volta. O primeiro choque é brutal. Não há nada que nos prepare. Não sei se as pessoas que mais gosto. Alguma vez. Aceitarão. Compreenderão. Não sei se alguma vez. Estarei preparado para esta terra. Liberta-nos. Amarra-nos. Sei que estou a passar ao lado da vida. Dos meus. Hoje tive uma queda brusca da temperatura. Corporal. Não parava. De tremer. Tive que vestir um polar! Tive que colocar. O ar condicionado. No quente. Se qualquer dia é bom para uma retrospectiva. Os números redondos. São-no mais. Após um ano em África. Dou mais valor à amizade. As dificuldades trazem ao cimo. O melhor. O pior. Das pessoas. Os amigos são os do berço. E. Os que em tempos difíceis. Nos fazem acreditar. Que ainda é possível. Os meus filhos. Sentindo a minha falta. Perdendo cumplicidades. Estando tão longe. A minha esposa. Sentindo-se só. Espero que. Alguma vez. Sentados à lareira. Apreciemos cada dia. Juntos. Que não haja. Sombras. Entre nós. Neste caso. A distância. Faz-me apreciar cada vez mais. O que tenho em casa. Na 4ª Feira. Dia 13. Fizémos 16 anos. De casados. Com todas. As situações. Dificuldades. Voltava a casar. Hoje. A sinfonia. Das rãs. Rodeia-me. É inacreditável. São milhões. Para a semana. Regresso a casa. Até já. Embora. Só tenha vindo à um mês. As saudades. Apertam. Hoje. Compreendo. Aceito. Muito mais. A diferença. Acho que estou. Mais rico. Nada como ver. Outras gentes. Outras culturas. Para perceber. Quão fúteis. São a maioria. Das nossas querelas. De ocidentais. Aburguesados. De barriga. Saliente. A religião. Que nos é. Apresentada. Com tantas certezas. Com tantos dogmas. É preciso. Escutar. O mundo. A política. A diferença.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Golpe de Estado
6ª Feira, 8 de Agosto. O pessoal que foi de férias, saiu daqui na 2ª Feira às 11 da noite. Apanharam uma tempestade pelo caminho, que lhes partiu três vidros do jipe e os deixou encharcados. Passaram uma noite no caminho pois a estrada estava cortada. Apanharam um golpe de estado, quando esperavam o avião. O aeroporto foi encerrado. Já saíram, quando escrevo, mas só chegam à Madeira no domingo. Há dias de sorte… Por aqui hoje tive que trabalhar, pois betonaram-se duas placas de um radier, e tive que as ir marcar. Durante a semana passaram-se aqui algumas curiosidades. A saber. No domingo, fomos beber uma bejeca aos chineses e foi engraçado ver que estavam numa sala quatro pessoas, uma portuguesa, uma marroquina, uma brasileira e uma chinesa. Se repararmos era um cidadão europeu, outro africano, um americano e ainda um asiático. Só faltou mesmo um australiano… Na 2ª fui a Bakel com o Messias e o Hassane, para o ravitaillement…, pois o Messias fazia 44 anos e estava seco. À tarde os médicos chineses vieram ver a nossa horta e lavaram, alfaces, couves, pimentos e pepinos. Ficaram encantados pois nesta altura não há verduras para comprar. Na 3ª recebi finalmente a minha carrinha, um mês e meio depois da avaria. Na 4ª houve um golpe de estado. Na 5ª chegou finalmente o aguardado cimento. Na 6ª trabalhei. (Aqui a 6ª é dia de descanso).
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