segunda-feira, 9 de março de 2026

Quero pedir desculpa a todas as mulheres

Quero pedir desculpas a todas as mulheres
que descrevi como bonitas
antes de dizer inteligentes ou corajosas
Fico triste por ter falado como se
algo tão simples como aquilo que nasceu com você
fosse seu maior orgulho quando seu
Espírito já despedaçou montanhas
De agora em diante vou dizer coisas como
Você é forte ou você é incrível
não porque eu não te ache bonita
Mas porque você é muito mais do que isso

Rupi Kaur

 

 

segunda-feira, 10 de março de 2025

💚💔

Carta aos mortos
Amigos, nada mudou
em essência.

Os salários mal dão para os gastos,
as guerras não terminaram
e há vírus novos e terríveis,
embora o avanço da medicina.
Volta e meia um vizinho
tomba morto por questão de amor.
Há filmes interessantes, é verdade,
e como sempre, mulheres portentosas
nos seduzem com suas bocas e pernas,
mas em matéria de amor
não inventamos nenhuma posição nova.
Alguns cosmonautas ficam no espaço
seis meses ou mais, testando a engrenagem
e a solidão.
Em cada olimpíada há recordes previstos
e nos países, avanços e recuos sociais.
Mas nenhum pássaro mudou seu canto
com a modernidade.

Reencenamos as mesmas tragédias gregas,
relemos o Quixote, e a primavera
chega pontualmente cada ano.

Alguns hábitos, rios e florestas
se perderam.
Ninguém mais coloca cadeiras na calçada
ou toma a fresca da tarde,
mas temos máquinas velocíssimas
que nos dispensam de pensar.

Sobre o desaparecimento dos dinossauros
e a formação das galáxias
não avançamos nada.
Roupas vão e voltam com as modas.
Governos fortes caem, outros se levantam,
países se dividem
e as formigas e abelhas continuam
fiéis ao seu trabalho.

Nada mudou em essência.

Cantamos parabéns nas festas,
discutimos futebol na esquina
morremos em estúpidos desastres
e volta e meia
um de nós olha o céu quando estrelado
com o mesmo pasmo das cavernas.
E cada geração, insolente,
continua a achar

que vive no ápice da história

Affonso Romano de Sant'Anna

domingo, 10 de março de 2024

Tem os que passam

Tem os que passam, de Alice Ruiz

"Tem os que passam
e tudo se passa
com passos já passados

tem os que partem
da pedra ao vidro
deixam tudo partido

e tem, ainda bem,
os que deixam
a vaga impressão
de ter ficado."

E tem os que partem demasiado cedo,
O pouco que viveram foi sem medo
Partiram, sem partir 
Saíram, sem sair

Os que ficaram, partiram
Os que partiram, ficaram

Deixaste o teu coração, 
Levaste o meu coração, 

Mil beijos. 

quarta-feira, 9 de março de 2022

Menina Mulher

 


Menina mulher, mais uma vez faltas à chamada,

Mais uma vez vais deixar que aniversarie, só eu, só nós,

Vou, vamos, envelhecendo em cadência continuada

Um ano de cada vez, já por nove vezes a sós

As cores, hoje em dia, são negro e vermelho,

Negro da guerra e vermelho do sangue

Ao invés de branco e verde,

Branco da luz e verde da esperança

 

Foi ontem, foi há tanto tempo…

Menina mulher, não chegaste a ver

Tantas lágrimas, qual torrente tempestuosa

Que rolaram a partir de olhos tristes

De olhos marejados de passados

Alegres, sinceros e risonhos

Fazes-me, nos, falta

Inês, Inês…

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Trinta de Janeiro

 

Análise política

 

Já que tantos viraram experts em tudo e mais alguma coisa, hoje vou eu analisar o surpreendente dia de ontem.

 

As sondagens não falharam. Não senhor. O que aconteceu foi uma massiva resposta ao que as sondagens indicavam, o risco de uma vitória do PSD, junto com uma subida incrível do Chega.

O PSD é hoje por hoje um anacronismo, uma excrescência do 25 de Abril, é o único partido social democrata de direita em todo o mundo. Igual ao PS, só que os seus militantes não querem ver o óbvio. O que muda entre o PS e o PSD são as pessoas que estão de um lado e do outro, nada mais. O dia 30 de Janeiro de 2022, representa o primeiro dia da última fase da vida do PSD.

O CDS morreu. Abandonado por todos. Foi eutanasiado, abortado, por militantes anti-eutanásia e anti-aborto. Paz à sua alma.

O PAN não sobreviveu à saída de André Silva, único com um discurso minimamente coerente dentro da cacofonia PANista. Como transformar algumas boas ideias, num conjunto de p***a nenhuma ao tentar formar um programa político global. O PAN sofre do oposto do BE, nenhuma ideia fora da trilogia Animais – Natureza – Proibir, contra Ideias fracturantes – Reivindicações – Proibido proibir (excepto o Chega).

Os Verdes perderam as folhas, e deslizaram tão suavemente pela encosta abaixo que ninguém reparou…

O PCP foi vítima do COVID, os votos que perdeu pertenciam aos octogenários que partiram vítimas do vírus pandémico, os 5 que não se encontram neste grupo estão em casa em isolamento…

O BE chegou a 2022 sem perceber a diferença entre ser um partido de protesto e um partido com ambição ao poder, a dialéctica trotskista foi trucidada pelo Costa. Um partido de protesto tem um limite de 4 ou 5 deputados, que juntos podem fazer muito barulho PONTO. Um partido de poder tem que ter alguém que perceba que para ter 1 milhão de votos não pode ser por defender ideais datados nos anos 60 / 70, hoje, contrariamente ao inicio dos anos 2000 nenhum jovem se revê no BE.

O Livre, viu-se livre da Joacine e tem direito a uma segunda oportunidade. O Rui Tavares tem o palco por quatro anos, para apresentar uma ideia ambiental enquadrada na União Europeia. Vamos ver o que consegue fazer.

A IL representa hoje o receptáculo do voto urbano e jovem, a esquerda caviar chique deu lugar aos liberais. Tem as maiores perspectivas de crescimento, porque verdadeiramente defendem uma alternativa à sociedade moribunda portuguesa. Vai substituir o PSD em 2 ou 3 eleições!

O Chega cresceu porque conseguiu trazer os reaccionários, racistas, beatos, fascistas, pides, maldizentes-de-café, desencantados, retornados, fakenewsistas, portugueses-de-bem, que estavam desencantados da vida e abstencionistas, de volta à democracia (e esta heim!). teve uma votação transversal a todo o país, interior, litoral, norte, sul, urbano e rural, mostrando que os ressabiados estão uniformemente espalhados por todo o rectângulo. O Ventura Beato é só um fantoche que os DDT escolheram para desbravar terreno, como ele é muito vaidoso, acredita estar numa missão divina! (Deus também é racista!) Tenho uma má notícia, o Chega é como o BE, serve para chatear e fazer muito barulho, mas pouco mais…

O PS, teve o que ninguém acreditava que acontecesse. É um partido desgastado. Está farto do país e o país está farto do PS. O resultado dos quatro anos deste governo pode implicar uma guinada à direita e o fim do PS por muitos e longos anos, assim continue com a arrogância ensaiada nos últimos anos. Conseguiu uma maioria absoluta, que ninguém consegue na Europa, pode governar sozinho e assim ficar responsabilizado por tudo o que aí vem ou pode receber esta oportunidade para ensaiar uma governação séria e honesta e demonstrar que o PS não serve só para levar o país à ruína, antecâmara de nova chamada ao FMI…

Catrapumba!



domingo, 9 de janeiro de 2022

Demografia

 

É hoje consensual que Portugal enfrenta uma crise demográfica, por muitos denominada de Inverno demográfico. Tem Portugal uma das populações mais idosas do planeta. A pirâmide etária portuguesa está já invertida, com mais idosos que jovens. Para os partidários do crescimento económico estamos perante uma espécie de suicídio colectivo, com uma traição das novas gerações à história de um dos mais antigos países da Europa. Os economistas liberais, consideram que a segurança social só pode funcionar com uma pirâmide etária real, ou seja, cada grupo etário deveria ser sucedido de um com uma base maior. Os humanistas que consideram que o homem subjugou a natureza, entendem que mais uma vez o homem conseguirá arranjar uma solução para aumentar a produção de alimentos de forma a proporcionar alimentação digna para quantos vierem. Os cristãos consideram que é uma obrigação bíblica o “crescei e multiplicai-vos”…

O interior (hoje já é interior quase todo o território, à excepção das áreas metropolitanas, Braga, Aveiro, Algarve litoral e pouco mais) está ao abandono. As terras restam incultas. Grassam pinhais e eucaliptais um pouco por todo o lado, mais as matas densas de acácias resultantes dos fogos que se vão sucedendo nos verões cada vez maiores e mais quentes.

Convém recordar aos saudosistas que o período áureo de Portugal (século XVI) foi cumprido com uma população de cerca de 1 milhão de pessoas…

Os estudiosos da demografia, apontam que a população residente irá diminuir (o processo já começou, veja-se o resultado dos censos de 2021), para entre 9 e 7 milhões, consoante os cenários, até 2050 (daqui a 28 anos). Todos os políticos se dizem bastante preocupados com a situação…

No entanto a população humana ultrapassou o primeiro milhar de milhões no século XIX, hoje somos já 8 mil milhões, em escassos 150 anos multiplicámos por 8.

É sabido que a diáspora madeirense é mais numerosa que a residente no arquipélago, tal como a açoriana e a cabo-verdiana e tantas outras de pequenas ilhas ao redor do planeta. Assim podemos dizer que pequenas ilhas não suportam crescimento indefinido da população humana a longo prazo.

A população europeia cresceu bastante no século XIX com os avanços dos cuidados de saúde, que resultaram em menos mortes de crianças e suas mães, isso levou a ondas massivas de emigração europeia uma vez que a disponibilidade de alimentos não acompanhou o crescimento populacional. Os europeus fixaram-se um pouco por todo o globo, com especial enfoque no Novo Mundo, América do Norte e do Sul.

Em 1900 existiam 1,6 mil milhões de seres humanos, na China seriam cerca de 300 milhões e na Índia 200 milhões. No Brasil 17 milhões, em Portugal habitavam 5,7 milhões, na Etiópia 4 milhões e em Angola 2,4 milhões.

Em 2021 somos 7,8 mil milhões, na China são cerca de 1,41 mil milhões e na Índia 1,38 mil milhões. No Brasil 213 milhões, em Portugal habitam 10,1 milhões, na Etiópia 115 milhões e em Angola 33 milhões.

O crescimento populacional no planeta foi tão grande desde a revolução industrial que hoje vivem em simultâneo cerca de 15% de todas as pessoas que já existiram. 1 em cada 8 homens está vivo hoje.

O homem e os animais domésticos representam cerca de 96% de todos os animais que vivem em terra, os animais selvagens são 4%...

A economia, como tudo no planeta terra teve comportamentos cíclicos até há 200 anos e existiu equilíbrio entre os humanos e suas actividades e o planeta. Desde o início da exploração dos combustíveis fosseis a economia tem tido um crescimento quase constante, acompanhado por um crescimento populacional ainda mais crescente, o que tem levado a que o PIB per capita não tenha tido um crescimento tão significativo. À medida que os povos do hemisfério sul se vão integrando na economia de mercado e tendo acesso aos bens de consumo que estiveram reservados a uma minoria, os níveis de poluição têm crescido a um ritmo sem paralelo. Podemos dizer que o crescimento da economia é proporcional ao consumo de combustíveis fósseis, pudemos verificar isso com a paragem global efectuada no início de 2020 com os confinamentos provocados na sequência do alastrar da pandemia de COVID, os efeitos visuais, de níveis de poluição verificados nas cidades, de qualidades das águas, foram tão espectaculares que surpreenderam tudo e todos, por não ser repetível uma situação como a vivida há dois anos.

A situação de stress provocada por tão intensa actividade por todo o planeta está a provocar uma resposta da natureza, que já estamos a experimentar, verões maiores e mais quentes, degelo dos glaciares, aquecimento dos oceanos, maiores tempestades, mais secas, chuvas intensas em períodos curtos. Estamos a extrair água dos aquíferos a velocidades bastante superiores às da recarga dos mesmos.

Hoje temos ao nosso dispor um conjunto de ferramentas que nos permitem olhar o passado e compreender melhor alguns factos ocorridos em épocas remotas. Assim podemos verificar que a queda do Império Romano está ligada a uma erupção vulcânica ocorrida na Islândia, que emitiu tantas cinzas para a atmosfera escurecendo o céu e provocando o “ano sem verão”, com a consequente diminuição de alimentos disponíveis, maior pressão nas fronteiras por parte de povos desesperados por fome. O rio Reno congelou em grandes extensões, permitindo a passagem em praticamente todo o seu curso aos chamados “bárbaros”, evitando as legiões que controlavam os pontos chave da travessia da fronteira.

O Império Assírio caiu logo após ter atingido o apogeu devido a um período de seca de 60 anos, que atingiu o seu território.

Na Inglaterra deixou de ser possível a cultura da vinha depois do século XV, até há bem pouco tempo, voltou nos últimos anos a ser viável.

A revolução francesa surgiu no século XVIII na sequência de alterações climáticas que conduziram a penúria alimentar uma grande parte da população.

Em 2011 na sequência de más colheitas na China, o governo chinês adquiriu no mercado mundial os cereais em falta, o que provocou um grande aumento do preço do trigo e escassez. Em muitos países o aumento do preço do pão levou a revoltas, ficaram conhecidas por “Primavera árabe” com a queda do regime na Tunísia, na Líbia, no Egipto. A guerra civil na Síria foi consequência da seca de vários anos verificada no território.

Portugal tem uma auto-suficiência de 18% no abastecimento de cereais, tendo por isso uma dependência enorme de fornecimento exterior.

A pegada ecológica portuguesa está estimada em 1,5 – significando que o que consumimos num ano necessita de 1 ano e meio a repor, assim o nosso défice não é só financeiro, é também ecológico. Grande parte da população mundial tem um nível de acesso a bens, inferior ao nosso, à medida que mais pessoas em todo o mundo vão tendo acesso a electricidade, carros, alimentação, a pegada ecológica vai aumentando.

É hoje consenso que a população humana, dado o seu número, está em equilíbrio instável com o meio ambiente, qualquer anomalia climática pode representar a “gota que faz transbordar o copo” com consequências imprevisíveis a prazo.

Assim se é arriscado para o futuro da espécie humana a existência de uma população tão numerosa, como podemos afirmar que é negativo para Portugal que se verifique uma redução da população? Podemos antes verificar a existência de uma oportunidade de recuperar uma parte significativa do território e operar uma renaturalização do mesmo.

Quanto à segurança social, deverá ser iniciada uma transformação do seu financiamento, aumentando a fracção das actividades económicas com menos necessidade de mão de obra e as actividades especulativas.

Com a digitalização, a necessidade de mão de obra vai diminuir, por isso ter menos jovens pode ser uma mais valia.

Também deveríamos iniciar uma melhoria significativa das retribuições pagas aos jovens, para promover o estancar desta sangria que nos leva todos os anos a perder o melhor recurso deste país, os nossos filhos terem que emigrar continuamente.

terça-feira, 9 de março de 2021

Foi ontem

 

Foi ontem, foi há tanto tempo…

Pela oitava vez vou aniversariar sem ti

Dói como no primeiro ano, tanto, tanto

Tento ver a vida colorida, como me ensinaste

Sinesteta te afirmaste

Desabo num pranto

Procurei-te e não te vi

Desabo num lamento.

 

Foi ontem, foi há tanto tempo…

Continuamos a caminhar, por ti

O amor continua tanto

Uma lágrima substituída por um sorriso, como me ensinaste

A vida é bela de ser vivida, afirmaste

Dias felizes, dias de pranto

Tanto caminho já vi

Sem um queixume sem um lamento




terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Ambivalente

 

Ambivalente,

É como me sinto,

Omnipotente e impotente,

Branco e tinto,

Por um lado, contente,

Por outro afogando as lágrimas em absinto.

Ao caminhar,

Menos resta para chegar,

Mais ficou para trás, se calhar,

Ao caminhar,

Mais caminho percorrido,

Mais mundo vivido,

Mais transporto, se calhar,

Ao caminhar,

Mais triste ou contente,

Neste viajar,

Acho-me ambivalente…

sábado, 21 de março de 2020

Tempos de Incerteza



Num belo dia de sol, é à janela, que invejosamente, vejo as árvores a balançar e os pássaros a namorar festejando o começo da primavera, normalmente estaria na rua ensolarada, hoje apenas posso observar, como se fosse um documentário da natureza na Tv.
Num belo dia de sol, vou tomando consciência de estar a vivenciar um momento histórico, pandemias documentadas podem ser contadas pelos dedos, sabemos que existem, que provocaram quedas de impérios, que alteraram modos de vida permanentemente.
Num belo dia de sol, a prometer o final do inverno, vendo o desenvolvimento que a pandemia leva nos países mais atingidos, sinto um arrepio ao perceber que estão apenas 1 ou 2 semanas à nossa frente…
Num belo dia de sol, que violentamente, qual murro no estômago, interiormente visualizo alguns filmes / séries apocalípticos que prenunciam um futuro disruptivo, morto vivo, tipo “Mad Max”.
Num belo dia de sol, leio que, do pouco que já se sabe acerca deste vírus, afinal não é sensível ao calor, que alguns infectados curados, voltaram a ficar infectados, que aparentemente a famosa imunidade de grupo, atingida após exposição ao vírus de cerca de 70% da população, não será atingida pois só dura 6 meses.
Num belo dia de sol, sou confrontado com a manchete, haverá nova pandemia antes do final do ano!
Num belo dia de sol, começo a pensar que se estivesse a chover, com vento e frio, até sentiria medo, insegurança, talvez até pesadelos, mas não, está um belo dia de sol e estou à janela, fechada, evidentemente, para o vírus não entrar e num belo dia de sol de início de primavera, o que se pode ter senão esperança, senão que o pesadelo termine, que seja possível aproveitar o sol antes que iniciem os fogos…

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Não sou vegano (ainda)


Não sou vegano (ainda)
Há quem queira mudar o mundo, muito bem,
Há quem queira revolucionar o mundo, muito bem,
Eu, com os meus (poucos) cabelos a esbranquiçar
Contento-me em me mudar a mim próprio, por vezes nas nossas incontidas ânsias, esquecemo-nos desse pequeno pormaior…
Apenas deixei de consumir alimentos de origem animal, nestes dois anos perdi muita coisa,
Perdi quase vinte quilitos,
Deixei de ser hipertenso, quando me foi diagnosticada a hipertensão, veio a dica “é normal, é da idade, não caminha para novo, habitue-se”,
Pois bem, com a ausência de alimentos de origem animal, foi-se a hipertensão.
Perdi o hábito de caminhar para a farmácia,
Perdi as dores de cabeça,
As alergias,
Perdi a falta de ar ao subir pelas encostas,
Para que não conste que me deixei de tudo, aviso desde já, que a cerveja e o vinho são frutos fermentados!
Para que seja possível viver neste planeta, devemos reduzir a nossa pegada ecológica, antes mais cedo que mais tarde.
A produção de energia eléctrica é responsável por cerca de ¼, dos gases com efeito de estufa (GEE),
A indústria por cerca de ¼,
Os transportes por cerca de ¼,
A agricultura por cerca de ¼, destes mais de metade tem origem na produção de carne.
A produção de energia eléctrica está cada vez mais renovável,
A indústria está mais limpa,
Os transportes estão a virar eléctricos,
E a agricultura? E a produção animal?
Em Portugal o consumo de carne multiplicou por 5 desde a entrada na EU, em 30 anos, no entanto a população não aumentou.
E cada vez há mais hipertensos, mais alergias, mais doenças oncológicas…
Eu acho que há relação, abandonámos os saberes ancestrais…

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Viagem

O bom do caminho é haver voltaPara ida sem vinda basta o tempo.
Mia Couto

Viajar é como um caminho, se nos leva rumo ao desconhecido também nos traz de volta a casa. Esta etapa africana, em Cambambe, durou cinco anos, foi mais longa que inicialmente previsto. Mas mesmo as etapas longas têm um final.
É bastante saboroso o regresso às origens, à família, à casa, aos nossos cheiros…
As ausências têm um preço, se por um lado nos fazem mais ricos, por tudo o que absorvemos lá nas lonjuras, por outro cobram memórias não partilhadas…

2018 será sem sombra de dúvidas um ano novo por estas bandas, reaprender a partilhar espaços…

sábado, 30 de setembro de 2017

Dever Cumprido

Dever cumprido. Como é possível descrever em duas palavras dez por cento de uma vida? Qual o significado agora que mais uma etapa entra na recta final? Será que irá corresponder a um adeus definitivo a este chão vermelho? Uma terra à procura de um destino. Certa que intensos dias virão, que boa parte do futuro planetário dependerá das escolhas aqui efectuadas. Não é fácil encarar os tempos de incerteza, não por receios, ou dúvidas, talvez porque o baú das memórias começa a acumular estórias, cheiros, cores, momentos, gentes.
Desfrutar. Carpe diem. Como já ouvi dizer, “um dia será o último da nossa vida”, a vantagem é que todos os outros não o serão. Deste modo os sentidos despertos e ávidos, absorvem o máximo que aí está à nossa espera.
Rio. Todos iguais, todos diferentes. Tanta história. Tanta vida. Transporte. Água. Energia. Este foi Coanza, Cuanza, Kwanza. Grafismos. Regras. Cada vez será mais energia eléctrica, Laúca já tem a segunda unidade, já são 668 MW, em 2018 serão 2067 MW a somar aos 520 MW de Capanda e aos 976 MW de Cambambe, Caculo Cabaça será realidade a breve prazo e mesmo Zenzo começa a mexer.

Desafio. Li que em 2100 em África viverão 4300 de 11000 milhões de habitantes do planeta. Esse valor triplicará a população actual de 1300 milhões. Um crescimento populacional em média de 3%. Se a economia crescer a uma taxa de 3%, durante todo o século, o que será um grande desafio, tal não corresponderá a uma melhoria das condições da população. Significará que será um século desperdiçado? Ou um grande desafio que não pode ser adiado?

domingo, 9 de julho de 2017

Sons

Os sons da música embalam a alma numa sucessão crescente de estados, culminando no Olimpo dos deuses sonoro-coloridos, numa arritmia tresloucada de pele eriçada e unhas encaracoladas.
As palavras da música são universais aproximando gentes de todo o planeta, numa simbiose acústico-movimento com ou sem ritmo a bater o pé ou as mãos em aplausos mais ou menos espontâneos.
Algumas peças fazem-nos entrar em modo drone sobrevoando paisagens musicais fantásticas, outras em modo submarino submergindo corais multitribais.
Umas repetitivas até à exaustão, outras melodiosas, umas fáceis, outras nem à décima entram no ouvido, umas puxam ao sentimento outras aditivas.

Umas trazem-nos entes queridos ausentes, outras embalam-nos nos braços de Morfeu, umas fazem-nos sorrir, outras desabar.

sábado, 8 de julho de 2017

Até Sempre!

A nossa existência é feita de ciclos, desta feita estarei prestes a encerrar mais um ciclo, o angolano. Tanta coisa mudou nestes 4 anos e meio…
Saí de um país em depressão para outro com o a maior taxa de crescimento mundial da última década, saí do inverno para o verão, dum país em fuga para um país enamorado de si, duma empresa em fim de ciclo para uma de regime. Fui dos primeiros tugas a chegar ao “el dorado”.
Se o meu país estava em crise, o que me acolheu está às portas dum desafio imensurável, o esteio do regime, o malfadado petróleo entrou numa espiral descendente sem fim à vista. Se saí no início do inverno boreal, irei regressar no inverno austral. O meu país que tantos tem expulsado ao longo de eras, qual espelho de invejas investido, deu lugar a um lugar de moda, no topo dos melhores rankings mundiais, o que me acolheu, de repente, acordou para as contradições de ter a maior taxa de mortalidade infantil e uma das maiores taxas de morbilidade materna, para as crescentes taxas de infectados pelas malárias da vida, acrescidas das esquecidas febres tifóides e cóleras, junto com a depreciação da moeda, o desemprego crescente, as estradas pagas a preço de ouro e de duração, apenas circunstancial, cujos holofotes parecem pirilampos, de tão efémeras… A empresa que tão bem me tratou viu-se envolvida no maior escândalo do país-continente de origem. Após os tempos iniciais de adaptação a uma equipa internacional, seguiu-se outro de recepção aos patrícios e de novo ajuste à ausência, após a partida dos compatriotas.
Se há algo que nos marca, são as ausências dos entes queridos. Quando estas passam a definitivas, as marcas ficam gravadas na nossa alma como ferros em brasa, como se nos quisessem dizer que não temos direito de viver o “após”. Se quisermos ser honestos resta-nos viver o presente, como se fora o último dos dias. O futuro não existe ainda, o passado já nos abandonou.
Há imagens inolvidáveis que nunca irei esquecer, as fantásticas despedidas solares, os horizontes longínquos, o cheiro da terra vermelha depois da chuva, a camaradagem proporcional à distância do lar…

Até sempre!
Escalada do Morro do Moco, Huambo, ponto mais alto de Angola, 11 Novembro 2013
Safari em Etosha, Namíbia, 1 Maio 2014
Fotografando a natureza exuberante no entorno das quedas de Calandula
Agradecendo a visita, nem sempre apreciada, apreciando a natureza
Sempre aprendendo, como montar um tabuleiro de uma ponte em três dias
Os momentos passados com os amigos

Em modo inauguração

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Quatro Anos

Após quatro anos angolares, com a inauguração da Hidroeléctrica fixada para 4 de Fevereiro, data importante por estas terras, simbolizando o início da luta armada contra a ocupação portuguesa, o regresso a casa volta ao horizonte.
Angola, onde a terra vermelha se entranha na alma de tantos que a demandaram, uns em busca de riquezas, outros degredados, uns lograram compreende-la, outros sempre a viram como uma maldição.
Sempre vista como terra de riquezas sem fim, primeiro o cobre e a prata preencheram as mentes ávidas de recompensas, logo os lucros imensos do tráfico de escravos para as plantações do novo continente americano, depois os diamantes, o café e finalmente o petróleo, toldaram o discernimento de tantos que nunca aceitaram que a verdadeira riqueza deste solo eram as pessoas que foram caçadas, exploradas, formatadas, assimiladas em prol dos ditames de recém-chegados, tantas vezes completamente equivocados nos seus juízos…
Angola com seus rios saltando inúmeras cachoeiras em direcção ao oceano, com seus monólitos quais guardas planálticos, com seus embondeiros sem folhas como guardiães de florestas encantadas, com suas praias atlânticas de águas prenhes de lagostas, com suas lagoas comportando tantos cacussos que só por si alimentam um povo inteiro, com seus desertos de plantas únicas, com suas montanhas icónicas quais postais ilustrados, com suas florestas de madeiras enfeitiçadas.
A vida que por estas bandas nunca foi fácil, virou bastante difícil nos tempos recentes, adiando esperanças.
Da nossa parte estamos na fase de embelezar a casa para receber os ilustres visitantes, a geração de energia está aí, em pleno. A maioria dos colegas que tornaram possível esta realização já partiram para as suas terras. Umas mais perto outras longínquas.
Bem hajam todos.

Feliz 2017.

domingo, 18 de setembro de 2016

Abismo

O abismo fascinou os homens desde que começaram a caminhar erectos. Se conseguiram contrariar a natureza e ser bípedes, viver sempre num equilíbrio instável, porque não desafiar a Mãe em todas as actividades? Nesta era antropocénica em que vivemos, quase completamente desligados do meio ambiente, em que celebramos a vitória hominídea incondicional sobre o pequeno calhau a que chamamos terra, o ambiente está como a economia, depois dos avanços incríveis até ao final dos anos oitenta, entrámos aos solavancos pela beira do abismo e hoje ninguém sabe o que se vai passar amanhã, acabaram as garantias, as certezas, a estabilidade.
Afinal a doença da Terra, hoje atinge milhões de pessoas que habitam em locais mais sensíveis, amanhã deverá atingir muitos mais, se hoje atinge especialmente zonas desfavorecidas, amanhã chegará às zonas mais desenvolvidas, se hoje atinge especialmente zonas tropicais, amanhã poderá corromper as grandes metrópoles ocidentais.
A juntar à situação ambiental, com as suas alterações climáticas, vem a instabilidade política auto-infligida numa UE que olha apenas para os seus pequenos umbigos nacionais, esquecendo os ideais que levaram à sua criação; a instabilidade política do médio oriente, que não se antevê ter fim próximo, juntando à guerra inter-religiosa em curso desde há séculos, nova guerra fratricida intra-religiosa entre as várias facções de seguidores do profeta árabe. África continua adiada, sem cumprir seu ideal, como diria o poeta, deixando cada vez mais cidadãos sem esperança. Os pólos a derreter, cada dia mais rápido. Extinção em massa que atinge cada vez mais espécies.
Estes diagnósticos que já todos conhecem, começaram a ser apresentados por ambientalistas “fanáticos” há quatro décadas, hoje a imprensa “mainstream” divulga com naturalidade. O que mudou? Infelizmente muito pouco, falamos disto como falamos do preço da sardinha ou dos fogos no verão. Algo inevitável. Fatalista. É o destino.
Provavelmente será mesmo o destino, não por estar escrito, mas sim por ser este destino que estamos a escrever todos os dias.

Tanta dissertação e no entanto “Eppur si muove” a população do concelho de Torres Novas não conseguindo suportar mais a incúria, o desleixo, o compadrio, a vergonha (e acima de tudo o mau cheiro) das autoridades locais, regionais e nacionais, a propósito da ribeira da Boa Água (curioso nome tem este pequeno curso de água que tão maltratado tem sido nos últimos tempos), começou a manifestar-se. Talvez tenha sido atingido o ponto em que o copo transbordou e não haja mais passividade para permitir o abuso continuado de um bem público, que é o ar que respiramos, pelo menos nos termos deploráveis utilizados por empresários sem escrúpulos, políticos sem vergonha, serviços sem meios, população amolecida pelos “Big Brothers” anos a fio…

domingo, 15 de maio de 2016

Cambambe

Cambambe proporciona imagens fantásticas, quase todos os dias. 
No canhão do rio Kuanza, em Cambambe, as águas alterosas do período de cheias, dão lugar às águas calmas da estiagem.

Como o homem é um aprendiz de feiticeiro, manobrando a natureza a seu bel prazer, estas duas situações extremas ocorreram com um intervalo de uma semana, quando o normal seria com cerca de três meses de diferença.

Ilustrando a colocação das comportas do vão central da novel/vetusta barragem de Cambambe, temos o "nosso" arco-íris, companheiro fiel de todos os dias.

Na colecção de curiosidades/raridades que só Cambambe oferece, temos um mini-tornado na entrada do túnel de acesso.

Para fechar o dia, nada como o fabuloso pôr-do-sol de Cambambe.

domingo, 8 de maio de 2016

Só há uma vida para viver!

Só há uma vida para viver!
Por mais que me custe a crer
No mais recôndito do meu ser
Por mais que os meus olhos se recusem a ver.

Que maior desperdício,
Quedar-se por aqui lonjuras de tempos assim
Sem saborear qualquer vício
Desviver noites com ausências sem fim

E se um dia de paixão, dor, lágrima, partida
Valer mais que uma existência longamente celebrada
Apenas existida, mas nunca vivida

Só chegada

domingo, 17 de abril de 2016

Curioso

Vivemos num mundo curioso, sabemos que os offshores servem para alguns (poucos) fugirem às tributações elevadas (segundos os tais poucos) dos países de origem. Apenas os que têm muito dinheiro podem usufruir destes alçapões cuidadosamente preparados em leis devidamente estudadas. Deste modo os detentores das maiores fortunas quase não pagam impostos e a classe média empregada tem a seu cargo o grosso da despesa do estado social. Periodicamente uma amnistia fiscal permite a legalização da situação mediante um imposto simbólico previamente acordado. Creio que no lugar de lutar contra os moinhos de vento, qual D. Quixote, seria preferível baixar os impostos para todos de tal sorte que não justificasse driblar as leis. De qualquer modo quem está sujeito às maiores taxas não paga nada…
O islão foi uma religião tolerante durante séculos, excepto alguns núcleos fanáticos isolados e sem expressão, a sede de petróleo no século XX favoreceu a expansão, paga a peso de ouro, desses fanáticos intolerantes de modo a estarmos no limiar de uma coisa qualquer bastante feia e que terá custos incalculáveis para os ocidentais. Não será a altura certa para apostarmos de vez nas energias alternativas, demonizadas por supostos liberais que vendem as suas opiniões a quem mais paga?
O período dos descobrimentos, durante tanto tempo enaltecido, ultimamente escarnecido, correspondeu a um tempo definido, com personagens conhecidos, a história não é um comício político, é o estudo dos eventos ocorridos e a sua compreensão. O seu conhecimento permite antecipar muitos eventos futuros. Foi uma epopeia, para uns; um desígnio, para outros; uma desgraça, para tantos; uma oportunidade, para uns quantos; uma jogada perdida, dirão aqueles; uma violência, dirão aqueloutros. Racismo, violência, ganância, religião, política, impostos, finanças, usura, aventura, oportunidade. As opiniões divergem em função da origem e do objectivo dos opinadores, é por isso mesmo que é importante o seu estudo. Um rio não é só nascente e foz, tem todo um percurso que lhe permite ser o que é.
O rio Kuanza e as suas míticas minas de prata, foram o engodo para a presença portuguesa em Angola. Quatro séculos depois Cambambe mostrou que a riqueza estava lá, embora à época não fosse compreendida desse jeito, mais meio século e Cambambe está quase a cumprir o seu desígnio humano, o restante do médio Kuanza está a caminho de transformar a prata em verdadeiro ouro, assim seja devidamente aproveitado.
Ao longo da história os líderes sucedem-se, uns despóticos, outros loucos, uns sem ambição, outros com ambição desmedida, uns com consulados breves, outros parece que sempre estiveram lá. Uns que parecem honestos, outros crêem ser reencarnações de divindades. Só não há nenhum que dure para sempre…
Longe estava de me encontrar à beira de uma década a “fazer pela vida” nas lonjuras tropicais do velho continente. A mostrar que a vida nos reserva surpresas a cada oportunidade. Talvez seja tempo de “emalar a trouxa e zarpar” rumo a paisagens dantes quasi ignoradas e hoje tão amadas. As saudades podem ser um íman poderoso…

Curiosamente o convívio com gentes tão diversas, com culturas tão diferentes, climas tão diferenciados, faz-me sorrir de pena de todos os que exibem certezas absolutas, verdades inquestionáveis, caminhos únicos. Se alguma coisa aprendi é que amanhã é outro dia e eu quero vivê-lo. Sem dogmas, sem garantias de sequer chegar vivo ao final. 

quarta-feira, 9 de março de 2016

Mulheres

Mulheres,
Nascido de uma,
Aparado por outra,
Mimado, beijado, amado.
Mulheres,
Amadas, rejeitadas, agredidas,
Avó, mãe, filha!
Lindas!
Mulheres,
Quem as não ama?
Na cama, no chão, na alma,
Exageradamente, ou com calma,
Mulheres,
Cara metade ou desconhecida,
Branca, preta ou colorida,
Por uma noite ou por toda a vida.
Mulheres,
De todas as que havia na partilha
A mais linda é a minha filha!
Mulheres,
São como o sal no mar,
Como a paisagem do Gerês,

E a mais bela é a minha Inês!
 Parabéns!

Quero pedir desculpa a todas as mulheres

Quero pedir desculpas a todas as mulheres que descrevi como bonitas antes de dizer inteligentes ou corajosas Fico triste por ter falado como...